The Boys: A Série Que Ninguém Queria É Um Sucesso.

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A série de TV The Boys estreou semana passada pelo canal de Streaming da Amazon Prime Video e já chegou chutando bundas! Baseada na HQ do mesmo nome escrita por Garth Ennis (criador de Preacher, Crossed e autor da melhor fase de Hellblazer, além de Justiceiro e Juiz Dread) e desenhada por Darick Robertson (Transmetropolitan e X-Men), ela conta a história de um grupo de agentes da CIA que agem nas sombras para controlar os super-heróis que saem da linha. E não são poucos os que saem! A série tem recebido boas críticas, tanto dos fãs quanto dos sites que cobrem séries de TV.

As primeiras edições da série foram publicadas pela DC Comics em 2006, através de sua linha editorial Wildstorm, sendo o restante da série publicado em 2007 pela Dynamite Entertainment, após um rompimento amigável com a DC, devido ao incômodo causado na editora pelo tom ácido com que o comportamento inadequado dos heróis era tratado nas edições, com várias referências óbvias a personagens da casa, como Superman, Batman e Mulher-Maravilha, entre outros.

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Considerada muito escatológica, com várias cenas de sexo, estupro, linguagem inapropriada e muito debochada, The Boys enfrentou alguns problemas editoriais no início, mas ganhou o público de primeira. Ennis declarou depois que sua saída da Wildstorm lhe permitiu escrever a série com mais liberdade. Em 2008, The Boys foi indicada ao Eisner Awards na categoria “Melhor Série” e em 2010, ao Scream Awards, na categoria “Best Comic Book or Graphic Novel”.

Esses mesmos problemas encontrados pela dupla de autores nas HQs foram encontrados quando tentou-se levar The Boys para a TV. A vontade de todos os envolvidos no projeto era grande, mas não foram nem uma, nem duas vezes, que a tentativa de adaptar a história para o formato de série de TV esbarrava em negativas. Foram mais 10 anos de tentativas de adaptar os quadrinhos para a TV, sempre fracassadas por acharem que ela passava dos limites na narrativa de cenas de violência e sexo.

the-Boys_comic_book-1As primeiras tentativas de uma adaptação surgiram em 2008, pela Columbia Pictures que adquiriu os direitos cinematográficos da HQ. Na época os filmes de heróis começavam a fazer sucesso, depois das bem sucedidas produções de Homem-Aranha 2 (2004), Sin City (2005), Batman: O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro (ambos de 2008). Mas o projeto foi engavetado depois que os executivos da Columbia acharem que era impossível adaptar a narrativa da HQ para a linguagem do cinema. Depois foi a vez da Paramount tentar adaptar e desistir do projeto, até que o canal a cabo Cinemax pensou pela primeira vez tentar transformar a HQ em uma série de TV, mas desistiu também por achar muito caro o custo da produção. Nesta época, 2014, estavam envolvidos nessa tentativa os atores Seth Rogen e Evan Goldberg , que decidiram se unir a Ennis para levar outra de suas revistas para a TV: Preacher. O seriado começou a ser exibido, com sucesso, pelo canal AMC e também pela Amazon Prime Video, o que deve ter facilitado levar The Boys para o canal. 

A HQ

Em The Boys os super-heróis existem aos montes no planeta e são todos egoístas, preocupados com suas reputações, com dinheiro e depravados. Em sua maioria tiveram seus valores morais corrompidos pela fama e pela celebridade que alcançaram, e se comportam de forma cínica, irresponsável e homicida, desprezando as pessoas comuns. Se poder corrompe, imagine superpoderes.

Resultado de imagem para the boys seven hqEsses super-heróis, e suas super-equipes, possuem marcas que valem bilhões de dólares no mercado de ações. Elas podem ser vistas em brinquedos, cinema, roupas, tênis, e tudo mais que se pensar no mercado capitalista de consumo. A equipe mais famosa do mundo é a Seven (Os Sete), que tenta satirizar a Liga da Justiça e alguns de seus personagens, como Batman (Black Noir), Mulher-Maravilha (Rainha Maeve), Superman (Capitão Pátria), Flash (Trem Bala) e Aquaman (Profundo), mas existem várias outras, como as equipes adolescentes (tipo Novos Titãs), de mutantes (como os X-Men, só que aqui todas começam com o prefixo G), etc. Esses heróis não conhecem limites e agem da maneira que lhes dão na telha. Como diz o Carniceiro na edição #01 da HQ: “Se você pode desviar de balas, ou correr mais rápido do que táquions, ou nadar através do sol, você tem coisas mais importantes a fazer do que salvar a Terra pela milionésima vez. Um dia você pode se ligar que sua humanidade também é invulnerável. E aí, que Deus nos ajude.”

the-boys-0Para evitar que esses super-heróis façam muitos estragos o governo dos EUA reuniu uma equipe da CIA que pudesse dar um jeito de colocar os supers na linha, e criou The Boys (Os Rapazes). Inicialmente a equipe agiu secretamente a partir dos anos 80 para conter os super-heróis quando cometiam abusos, mas foi encerrada no início dos anos 2000 após um evento brutal e catastrófico que envolveu uma de suas agentes. Anos depois, após o aumento nas fatalidades causadas pelos super-heróis, o Carniceiro decidiu reativar a equipe, para que os canalhas superpoderosos paguem por seus erros. A equipe agora é composta por Billy “Carniceiro”, um inglês que é o líder da equipe; Leitinho da Mamãe, braço direito de Billy; Francês e a Fêmea, que são os “músculos” da equipe, e Hughie “Mijão”, um escocês que foi o último a entrar no time. Um rapaz simples com poucas aspirações na vida.

Além deles a HQ conta também a história da Luz Estrela, uma super-heroína que deseja ocupar um lugar entre os Sete e que percebe da pior maneira possível como eles são depravados e perversos, não tendo nada de altruístas ou defensores da justiça.

Mas como é possível que os rapazes enfrentem os super-heróis de igual pra igual? Devido ao Composto V, uma substância que é diluída e injetada nos agentes para que passam ter tanta ou mais força do que os supers por dois dias. Dessa maneira eles podem bater de frente com a maioria dos supers e fazê-los sentir o próprio remédio.

A SÉRIE DE TV

CUIDADO COM SPOILERS ====================================================

Resultado de imagem para the boys sevenA série de TV segue basicamente a mesma premissa das HQs, com a diferença que o Carniceiro é aqui chamado de Billy Bruto, e seu cão, um bulldog de nome Terror nas HQs, aparece apenas em um flashback, e não sempre ao seu lado. Os Sete tem um super chamado Translúcido no lugar do Lamparina. No mais as pequenas mudanças aqui e ali  no roteiro não comprometem, e para ser sincero a deixaram até melhor do que a própria HQ, do qual sou fã. Pelo menos nessa primeira temporada os agentes não tem acesso ao Composto V, o que torna suas missões bem mais suicidas, e ao invés disso eles tentam explicar o surgimento dessa substância e como ela foi capaz de criar os Supers. Não vou contar tudo porque acho legal que os leitores possam assistir ao seriado sem saber de algumas coisas que fazem muita diferença na série de TV em relação a HQ. O final da primeira temporada por sinal é um grande plot twist, e uma grande diferença em relação ao material escrito. Ficou chocante, mas muito bom.

RPG

Adaptar ou criar um cenário como o The Boys para o RPG pode ser feito usando vários sistemas disponíveis no mercado nacional. Vamos ver alguns deles.

SAVAGE WORLDS

De cara o sistema publicado no Brasil pela Retropunk Publicações é o que me vem a mente devido a facilidade de construir personagens e porque existe além do livro básico um suplemento de supers todo em português. Aqui o Narrador pode optar por fazer como nos quadrinhos, onde os personagens dos jogadores tem acesso ao Composto V, ou como na série onde eles não tem acesso a substância, o que torna mais desafiador e divertido também. Caso queira usar os mesmos personagens da série como personagens da sua campanha sugiro os seguintes arquétipos (página 10 do livro básico):

  • Billy Carniceiro (Bruto, na série de TV) – Líder;
  • Leitinho da Mamãe – Investigador;
  • Francês – Atirador;
  • Fêmea (Kimiko, na série de TV) – Artista Marcial;
  • Hughie – Cara-de-Pau.

Depois acrescente Pontos de Experiência para que os jogadores comecem a campanha com mais pontos para construir os personagens. Dê 40 a 60 pontos, menos para o jogador que estiver com o Hughie, que receberá 20 pontos, porque ele é o mais novo do grupo e sem a mesma experiência dos demais. Isso é necessário para que não fiquem tão disparate a diferença entre os personagens supers e os não-supers na campanha. Ou então faça duas fichas. Uma normal e outra com os jogadores “bombados” depois de tomarem o Composto V.

Outra opção é criar seu próprio cenário, com uma outra divisão dos The Boys agindo em outra parte dos EUA, ou até mesmo fora dele. Já imaginou um grupo desses no Brasil? O grupo poderá estar baseado em São Paulo e trabalha para a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e tem os mesmos objetivos do grupo original. Talvez por aqui o objetivo seja colocar na linha o Homem de Nióbio, que possui uma armadura feita com este material, o Curupira, que controla os animais da floresta, ou o Urubu-Rei, com suas asas enormes e seu arco e flecha que acerta todos os alvos.

Resultado de imagem para the boys sevenJá para criar os supers é bom usar o suplemento Compêndio de Superpoderes e definir logo de cara o Nível de Poder da Campanha (página 5 do Compêndio de Superpoderes). Sugiro usar o Quatro-Cores, que dá 45 pontos para a criação dos supers. Pode-se ser usado também o nível Lutadores de Rua, para alguns supers que farão apenas figuração na campanha, sem serem os inimigos principais. Caso queira uma campanha realmente desafiadora pode-se optar pelo nível Peso Pesado, e dar 60 pontos para os supers. Caso já queria começar com personagens prontos eu aconselho ir até a página 55 do Compêndio de Superpoderes, no capítulo dos Vilões, e usar alguns personagens já prontos para serem os “heróis” que deverão ser colocados na linha pelos Rapazes. Eu sugiro os seguintes:

  • Cabeça de Areia (página 78 do CdS);
  • Fluxo (Página 81 do CdS);
  • Magnetron (página 82 do CdS);
  • Quilowatt (página 85 do CdS);
  • Táquion (Página 87 do CdS);

Lembre-se que no cenário de The Boys todos eles já nasceram com seus poderes, mas o narrador pode mudar o que desejar para tornar mais interessante a história.

MUTANTES & MALFEITORES

Outra boa pedida é o sistema de Mutantes & Malfeitores da Jambô Editora. Aqui seria interessante usar além do livro básico os suplementos “Manual do Malfeitor” e “Agentes da Liberdade”. Do livro básico usaremos os modelos de construção de personagens do Original (Capitão Pátria), Velocista (Trem Bala), Controlador de Energia (Luz Estrela), Aventureiro Uniformizado (Black Noir), Mestre de Arma (Rainha Maeve), Psiônico (Profundo). Com o “Manual do Malfeitor” usaremos alguns poderes e máculas para criar os adversários dando cor ao mal-caratismo dos supers. Já com “Agentes da Liberdade” aprenderíamos a criar personagens humanos que combatem os supers e até mesmo pegar os exemplos já prontos que começam na página 30 do suplemento e vai até a página 37. Aconselho o Comandante Durão (simularia bem o Carniceiro), Especialista em Artes Marciais (a Fêmea), Investigador de Campo (Leitinho da Mamãe), Comando Brutamontes (Francês) e Zé-Ninguém Heróico (Hughie).

 ESTE CORPO  MORTAL

O sistema, também publicado no Brasil pela Retropunk Publicações, é para cenários onde a Magia está presente, mas nada que não se possa adaptar, usando superpoderes no lugar da Magia. Os personagens dos jogadores devem ser construídos com pontuação de personagens Veterenos, enquanto os Supers seriam construídos com pontuação de personagens Eternos. Depois é criar a ficha tema, que praticamente está pronta, e começar a jogar.

AVALIAÇÃO

The Boys merece ser vista com atenção e pra mim foi uma grande surpresa, apesar de esperada. Tinha medo que se perdesse muito da obra original na adaptação mas no final das contas o trabalho executado foi muito bem feito. É uma série que empolga e trás aquela vontade de ler revistas com temáticas mais adultas e te faz pensar se um mundo cheio de super-heróis não seria como este. Além disso te faz querer jogar RPG e socar alguns supers!

 

 

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