Especial Semana Da Consciência Negra: Os Lanceiros Negros Para Wraith.

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Artigo escrito por Odinei Matos para publicação na Página Brasil in the Darkness.

Lanceiros na Guerra Farroupilha
A Farroupilha foi uma revolta que durou aproximadamente 10 anos, e é protagonizada por ricos homens brancos, mas entre seus maiores heróis estão os negros que cavalgavam carregando lanças e lutavam sem medo pela liberdade no período em que a cor da pele lhe garantia direitos ou os revogava por completo.
Estes homens lutaram por um sonho e acabaram sendo traídos por aqueles que lhe prometeram liberdade. Suas mortes foram trágicas mas não merecem o Esquecimento.

História
São soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche (negros) e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror no inimigo (…) Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater pela causa sagrada das nações”(Giuseppe Garibaldi).

Após a abdicação do trono brasileiro por D. Pedro I, várias revoltas assolaram o Brasil, dentre elas a Guerra dos Farrapos. Os estancieiros do Rio Grande do Sul estavam insatisfeitos com os altos impostos cobrados pelo império e decidiram declaram em porto alegre que se tornaram uma república não mais subordinada ao império, surgindo assim a República Rio Grandense. Mas obviamente que o Império não abriria mão de seu território e das riquezas que dele provinha. Iniciou-se então uma revolta separatista lembrada até os dias atuais, mas o que tentam esquecer foi o ocorrido em Porongos, atual Pinheiro Machado.

Uma realidade é que os Farrapos estavam em desvantagem numérica contra o império, então eles precisavam do máximo possível de soldados engajados para as batalhas que se sucederam pelos dez anos de conflito, vendo nos negros capturados ou fugitivos do Brasil uma oportunidade de engrossar suas fileiras com soldados “descartáveis”. Aos negros escravizados foi oferecido liberdade ao final da guerra, se eles lutassem ao lado dos Farrapos, estes homens maltratados e desesperançosos viram na revolta uma chance de lutar por suas alforrias, chance essa que valia arriscar a própria vida. Então, foi criado o Pelotão dos Lanceiros, que eram negros, montando a cavalo e com lanças, tendo apenas um poncho de lã enrolado em seu braço para se defender das espadas dos inimigos.

Estes homens, não lutavam por ideais da República dos Farrapos, nem por estancieiros, eles lutavam pela própria liberdade, um direito que deveria ser alcançado com o derramamento do sangue dos inimigos, e com o próprio. Estes homens atacavam sem pestanejar ou recuar, como se possuídos pelos seus Orixás, e geravam medo nos corações dos inimigos, atacando rápido e sem piedade.

Porem, no final da revolta, os estancieiros já não contavam com tanto apoio popular quanto antes, suas tropas estavam reduzidas e um acordo se fazia necessário para terminar a revolta. Um armísticio foi criado para que as negociações fossem feitas, e os Generais Farrapos conseguiram alguns benefícios se aceitassem terminar a revolta e aceitar a derrota, como: anistia, devolução das terras confiscadas, taxação do charque estrangeiro (deixando assim o produto dos estancieiros mais competitivo no mercado interno). Mas claro que tudo tem um preço, “a alma dos Negros”.

Os negros da Farroupilha eram segregados nas próprias fileiras do Farrapos, que em geral eram homens brancos e bem-nascidos em suas lideranças e tropas, que estavam preocupados com seus lucros mais com causas humanitárias como Abolição. Os estancieiros possuíam escravos durante a revolta, mas preferiram mantê-los nas suas fazendas, pois não pretendiam perder sua mão de obra escrava, além de lucrar muito durante a revolta com comércio de escravos com o Uruguai. Os Lanceiros eram formados por aproximadamente 400 homens mais suas infantarias, também homens negros, mas que lutavam a pé e usavam rifles, que possuíam seu próprio alojamento, para não se misturar com as tropas de homens brancos. Mesmo com esse tratamento desigual, eles continuavam lutando, por sua liberdade.

Mas libertar esses guerreiros negros poderia geram um precedente perigoso para o império, se outros negros começassem a tentar conquistar sua liberdade pegando em armas, eles eram numerosos e fortes, se a promessa dos Farrapos de libertá-los fosse cumprida, esses negros libertos e treinados em armas poderiam se unir e começar a libertar escravos com seus conhecimentos adquiridos sobre estratégias militares e tornar-se o foco de uma revolta ainda maior que a própria Farroupilha.

Então, em 14 de Novembro de 1844, ocorreu a traição que marcou a história desta revolta, a traição dos Farrapos para com os negros. Durante o armísticio, o comandante dos Farrapos, Davi Canabarro, desarmou os negros de seus rifles, deixando apenas suas lanças, na madrugada daquele dia, tropas imperiais invadiram o acampamento e exterminaram os Lanceiros e seus infantes, deixando apenas uns poucos sobreviventes que fugiram, apesar de estes terem sido capturados pouco tempo depois pelos imperiais.

Este foi conhecido como o Massacre de Porongos, um momento oportuno para Farrapos e Imperiais, assim, os Farrapos cumpriam sua promessa aos negros dando a eles a liberdade tão almejada, mas essa liberdade foi a morte. Por outro lado, os Imperiais deram mais uma vez o exemplo do que acontece quando um negro tenta se libertar. Mas os Lanceiros lutaram até o fim, da mesma forma que fizeram durante toda a guerra, aceitando a morte de bom grado.

Até os dias atuais não se sabe se Canabarro foi conivente com o Massacre ou incompetente, pois a geografia do local favorecia os batedores dos Farrapos avistarem a aproximação dos Imperiais. Além disso, ele deixou os negros sozinhos em seu acampamento retirando os soldados brancos de localidades próximas, além do fato de ter retirado os rifles deles um dia antes do ataque.

Aos negros capturados, eles foram colocados nas condições mais insalubres possíveis sofrendo torturas e trabalhos forçados até seus últimos dias, nas mãos dos Imperiais. Sendo levados pelo barco “Triunfo da Inveja” para o Arsenal de Marinha, onde eles ficaram cativos e posteriormente obrigados a se tornaram carregadores de dejetos, levando barris cheios com os dejetos das famílias da cidade em suas costas, e os despejando no rio. Esse trabalho era muito extenuante, o odor era insuportável e ainda causava cicatrizes esbranquiçadas as costas dos negros, devido ao dejeto que vazava dos barris e que estava acumulado no barril por um longo tempo, deixando os negros “zebrados”.

Mas o que deve ser lembrado deste episodia é a coragem destes negros, da forma que os Lanceiros lutaram até o fim sem temer o inimigo. E inspirar-se nesta força que eles possuíam.

Liberdade, Mesmo Após a Morte
O Mundo dos Mortos apresentado em Wraith the Oblivion, não é uma recompensa para ninguém, nem tão libertador. Estígia tem uma postura escravagista, além dos Ceifeiros que capturam almas dos recém chegados no Mundo Inferior. Os Lanceiros que não foram engolidos pelo Oblívio ao chegar no pós-morte, caíram no Labirinto, outros ficaram perdidos na Tempestade e outros menos afortunados, foram capturados pelos Legionários ou Escravistas vindo de Estígia. Sim, escravos em vida, escravos na morte.

Mas nem tudo está perdido, os Lanceiros são guerreiros, eles não desistem, nem permitem ser oprimidos pelos tiranos. De alguma forma, após a morte, alguns desses lanceiros que em vida foram adeptos dos orixás, no Submundo formaram um tipo de Culto Herege para combater a opressão de Estígia, eles obtiveram o conhecimento e as armas que lhes permitiram desafiar o poder da Hierarquia e se constituíram em uma lenda entre os Renegados. A origem do auxílio que parecem ter recebido ainda é fonte de muitas especulações. Alguns dizem que foram os Orixás do Reino Sombrio de Marfim que ouviram suas súplicas, outros dizem que os Lanceiros na verdade constituem uma espécie de tropa de elite à serviço de entidades ainda mais poderosas e misteriosas, há, ainda aqueles que estabelecem uma relação entre a origem dos Lanceiros e uma antiga ordem mítica ainda mais antiga conhecida como “Os Barqueiros” e aqueles mais familiarizados com as religiões afro-americanas veem uma relação entre eles é as misteriosas entidades que chamam de Falangeiros. Poucos são capazes de atestar a verdade sobre essas alegações. Apenas as lideranças mais destacadas entre eles parece conhecer a verdade sobre sua origem. Os Lanceiros vem libertando cativos dos escravistas das Hierarquias e do Labirinto a mais de 100 anos, assim como vem cavalgando ao Reino da Carne para ajudar os seus.

Usando Lanceiros em Wraith the Oblivion
As Oito Companhias de Lanceiros do Reino da Carne se reproduzem no Reino das Sombras, mas a quantidade de seus membros é bem diferente, eles recrutam o máximo possível de ex-cativos, ou aqueles que desejam lutar contra o sistema vigente, agindo como Renegados. Entretanto, seus métodos de guerrilha são bem diferentes, principalmente, se escondendo no Labirinto ou na tempestade, eles são muito adaptados a esses ambientes, e quando desejam lutar dão muito trabalho aos mais competentes membros da Hierarquia.
Uma de suas habilidades mais marcantes é o combate montado, eles capturam e adestram Plásmicos de formas variadas, que servem como montaria, podendo ser Phantasias muito parecidos com cavalos ou Lendários que lembram criaturas do folclore, como a Mula sem Cabeça.
Outra característica em comum são as lanças, em geral Artefatos forjados pelos Lanceiros no Labirinto, os mais antigos entre eles carregam Relíquias que vieram com eles do mundo dos vivos.

Apelido: Porongos, Homens Tigres

Arcanos: Argos (Alguns aprendem outros Arcanoi como principal mas isso é muito raro, esses aprendem Moliate, Puppetry ou Connaissance).

Mácula: Em vez da mácula comum aos usos dos Arcanoi, o Porongo apresenta manchas zebradas em seus corpos, como se banhado de sangue ou outro fluido que agora está ceco na pele.

Cavalo Phantasia:
Força 6, Destreza 6, Vigor 5, percepção 3, Inteligência 2, Raciocínio 2
Prontidão 3, Esportes 3, Briga 1, Intimidação 2
Arcanoi: Argos 4 (1–3), Pandemônio (3–5)
Força de Vontade 4, Angst 6, Corpus 15

#Lança:
As armas principais dos Lanceiros, com o comprimento médio de 3m, feitas de Aço Estigíano, causando Força + 3 (Dano Agravado).

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