Especial Semana Da Consciência Negra: O Pacto Palmarino.

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Artigo escrito por Porakê Martins para publicação na Página Brasil in the Darkness.

Para celebrar o Dia da Consciência Negra, trazemos uma proposta inicial de Plot para narradores do Mundo das Trevas interessados em abordar o Brasil como cenário em suas crônicas. O Pacto Palmarino oferece um gancho interessante em crônicas de Mago: A Ascensão, Lobisomem: O Apocalipse e Changeling: O Sonhar, e abrindo possibilidades de crossover. Essa proposta pode ser encarada pelo narrador como verdade, meia-verdade ou uma completa fantasia, na qual creem apenas alguns de seus NPCs ou jogadores. O texto propositalmente deixa em aberto várias possibilidades.

“Por menos que conte a história
não te esqueço meu povo
se Palmares não existe mais
faremos Palmares de novo”

― José Carlos Limeira, Insônia.

Histórias antigas contadas por Magos Bata’a, Changelings Elegbara, Feras e, até mesmo, alguns Peregrinos Silenciosos, Uktena, Filhos de Gaia e Fúrias Negras afro-brasileiros, falam de um passado mítico, nos primórdios da colonização européia dos territórios que viriam a conformar o Brasil. Um sonho, uma utopia, um ideal. Talvez, não mais que um delírio febril daqueles que insistem em não aceitar o silenciamento imposto aos povos nativos e aos descendentes dos homens e mulheres que foram forçados a cruzar o Atlântico e submetidos ao mais longo e vil capítulo da história de nossa nação, a escravidão.

Ecos de um passado que chegam até nós como histórias e canções sobre Palmares, a federação de quilombos na Serra da Barriga, antigo território da Capitania de Pernambuco, atual Estado de Alagoas, símbolo da identidade e da resistência negra no Brasil. Se entre humanos mortais Palmares tem sido uma fonte de inspiração e controvérsia, entre os habitantes sobrenaturais do país, as coisas não seriam diferentes. Entre sussurros, se fala que Palmares inspirou uma antiga aliança entre diferentes criaturas sobrenaturais comprometidas com a defesa de seus aliados humanos e contra o poder que emana das metrópoles estrangeiras.

Essas histórias são mantidas vivas por uma longa tradição oral, em cerimônias iniciáticas que emulam rituais do candomblé e da umbanda, repassadas entre Mestres e aprendizes Bata’a; Exus, Obas e até mesmo Aithus aliados dos exóticos gallain sulamericanos; e entre Feras e Garous nativos e seus filhotes.

É dito que a origem de Palmares está associada a uma poderosa feiticeira chamada Acotirene, considera por alguns “A Grande Precursora” do ramo brasileiro do Ofício Discrepante dos Bata’a. Nascida em solo africano, ela teria participado da criação de Palmares, ainda no final do século XVI. Ajudando a unificar diversos quilombos pré-existentes sob a liderança de uma pequena vila fortificada, o Mocambo do Macaco, um lugar que se acredita ter sido protegido por poderosos feitiços, que ofereciam abrigo seguro aos escravos fugitivos das fazendas de cana de açúcar da região, fossem de origem africana ou indígena. O Mocambo do Macaco logo se tornaria uma semente do que viria a ser Palmares. Mais tarde, com a ajuda de dois importantes aliados, o Sol Ornado Mokolé, Ubiracy “Sete-Lanças”, e a Theurge Uktena, Acuré “Flor-das-Matas”, ambos oriundos de tribos indígenas nativas do Brasil, Acotirene teria adquirido conhecimento sobre a natureza e os espíritos locais e estabelecido comunicação entre Peregrinos Silenciosos de origem senegalesa e seus Parentes escravizados no Brasil.

Esse vínculo antigo entre Acotirene e os Peregrinos Silenciosos, gera especulações sobre o pacto proposto por ela ter sido inspirado na Liga Osiriana, outra organização similar que existiu séculos antes, para enfrentar a crescente influencia dos Seguidores de Set sobre o Antigo Egito. Seja como for, inspirada pela mítica Liga Osiriana ou apenas pela mundana resistência e cooperação de ex-escravos humanos de diferentes origens que se uniram em torno de Palmares.

É atribuído à Acotirene a proposta do que se tornaria conhecido na atualidade como “O Pacto Palmarino”, uma aliança entre diversas criaturas sobrenaturais de origem nativa ou africana que buscavam resistir à invasão europeia dos territórios selvagens da colônia e resgatar e proteger seus Parentes, Acólitos e Aliados entre os cativos, desafiando a ordem colonial que moldou o mundo que conhecemos e promoveu o genocídio de povos nativos tanto na África, quanto na América. Essa poderosa arquimaga teria sido capaz de estender sua vida ao longo de mais de um século e servido como mentora e conselheira tanto entre humanos como entre seres sobrenaturais, até ser dada como desaparecida após a queda de Palmares, no final do século XVII.

Muitas histórias são contadas e recontadas até hoje entre aqueles que reivindicam o legado do suposto Pacto Palmarino. Alguns Exus reivindicam em histórias compartilhadas ao redor de uma fogueira apenas com os membros de seu próprio kith, a história de uma peculiar rainha Obá chamada, Aqualtune, que seria parente do povo-leão, chamados Simba, filha de um monarca do Reino do Congo, ela teria liderado seu povo contra forças portuguesas na famosa Batalha de Mbwila, onde, infelizmente, foi derrotada, aprisionada, submetida à escravidão e enviada para o Brasil, perdendo temporariamente seu semblante feérico em virtude do imenso choque de banalidade.

Só bem mais tarde, já no Brasil, Aqualtune teria sido guiada por Acotirene até Palmares, onde recuperaria sua natureza feérica e voltaria a ser reconhecida por seu povo como rainha, instituindo o primeiro Domínio Obá deste lado do Atlântico, nos territórios de Palmares. Ela é reverenciada entre os Elegbara brasileiros como matriarca e fundadora das Casas Nagô e Jejê, ambas aliadas dos Gallain nativos do Brasil contra a dominação kithain. Os membros dessas duas Casas Nobres desconhecidas das cortes kithain e lideradas por obás vinculados aos territórios no nordeste do Brasil, conhecem o segredo de como interagir com o mundo espiritual através do vinculo que usufruem com os orixás, de forma análoga aos Nunnehi com seus totens.

Entre os Bêtes, várias alegações controversas são recebidas com desdém pela maioria dos Fera e Garou, como a existência de um Mtolo Simba nascido em território brasileiro, que teria liderado o Pacto Palmarino em seus primeiros anos, durante o período áureo de Palmares, quando seus mocambos chegaram a reunir cerca de 20 mil pessoas, entre escravos fugitivos, povos nativos, brancos pobres e seus descendentes. Também é dito, mesmo entre aqueles que sustentam essa suposta existência de uma linhagem de líderes Simba desse lado do Atlântico, que a liderança dos leões foi breve, sendo logo sucedida por líderes Balam. Especula-se, aliás, que a disputa entre Simba e Balam tenha sido uma das responsáveis pelo fim desse mítico Pacto, embora profecias sejam sussurradas sobre o nascimento de um líder Simba da margem poente do Atlântico anunciando o fim de uma era.

Também é possível, encontrar Garou que reivindicam esse legado. Algumas Fúrias Negras brasileiras apontam Dandara, lendária líder das defesas de Palmares, como uma Theurge de sua Tribo, uma mestiça de sangue negro e indígena, ela teria sido filha de um soldado da rainha Nzinga da Angola, capturado e vendido como escravo no Brasil, e de uma guerreira Fúria Negra de origem indígena ligada às lendárias Icamiabas. Nessas histórias, compartilhadas apenas entre Fúrias Negras nativas, Dandara é retratada como membro de uma curiosa “Matilha”, chamada Awọn Alagbara Nla, abençoada pela Pantera e formada por Dandara, seu amante Balam e um Ragabash Uktena, chamado Acaiúba. A idéia de uma Fúria Negra se relacionando com um guerreiro Balam costuma provocar reações de aversão e indignação entre muitos membros de ambas as raças sempre que é mencionada.

Mesmo entre mortais, Palmares ainda é citada em alguns contos antigos como o berço lendário da capoeira, de onde essa arte marcial teria se disseminado pelos mocambos, quilombos e senzalas como uma arma a serviços dos oprimidos. Também costuma-se traçar até Palmares muitas das tradições da Umbanda e do Candomblé observadas no Brasil até os dias de hoje. A ideia de tantas criaturas diferentes reunidas e convivendo soa como pouco mais do que absurda para a maioria dos Despertos, Garou, Fera e Changeling da atualidade. O fato de muitos vultos históricos de Palmares serem apontados como criaturas sobrenaturais costuma ser encarado com ceticismo por aqueles sábios o suficiente para reconhecer o quanto humanos imbuídos de coragem e determinação podem ser capazes de realizar sem qualquer auxílio sobrenatural. De qualquer forma, as histórias mantidas e transmitidas pela tradição oral, não tem a pretensão de se postularem como verdade, contentando-se em ser oferecer projeções de nossos desejos mais íntimos e fontes de inspiração para o futuro.

Embora, incontestavelmente, tenha sido frustrada por incessantes ataques externos, intrigas e conflitos internos, a utopia de Palmares permanece viva não apenas na memória dos mortais, mas, também, entre algumas criaturas sobrenaturais, que reivindicam seu legado de luta e resistência, inspirando muitos ativistas do movimento negro, pela liberdade religiosa dos cultos afro-brasileiros e até mesmo alguns militantes mais radicais contrários à dominação econômica e cultural das grandes potencias estrangeiras sobre a América do Sul. Um ideal tão vivo e pulsante que inspirou dois poderosos magos Bata’a de origem haitiana, Houngan Amparo e sua consorte, Sete Flores, a batizarem com o nome de Palmares um Reino do Horizonte criado em 1868 para preservar o aspecto espiritual original do Haiti (Vide página 17 do suplemento “Book of Crafts”, para Mago: A Ascensão).

Na atualidade, alguns Elegbara, Bata’a, Garou, Mokolé e Balam ainda poderiam ser capazes de recordar o antigo Pacto Palmarino e tentar invocar os antigos laços de amizade entre esses diferentes povos para evitar ou se livrar de problemas, algo que, certamente, nem sempre funcionaria, às vezes poderia até acabar surtindo o efeito contrário. Um Peregrino Silencioso afro-descendente evocando os supostos laços antigos das Fúrias Negras com Palmares para tentar “quebrar o gelo” com alguma membro daquela tribo que exibisse, por exemplo, entre os itens de sua indumentária, um símbolo de Iansã, poderia se ver surpreendido por uma reação violenta de uma interlocutora disposta a provar que não teria qualquer ligação com uma Garou tola o suficiente para se deixar enganar por um gato.

De qualquer forma, poderiam ser atribuídas ao legado do Pacto Palmarino as relações um pouco menos hostis entre Uktenas, Filhos de Gaia, Fúrias Negras, Peregrinos Silenciosos e, até mesmo, destes com alguns Bastet e Mokolé, na região nordeste do Brasil, em contraponto com as hostilidades abertas em território amazônico e à ostensiva hegemonia Garou no Sudeste e no Sul do país.

Idéias para Crônicas

Em Lobisomem: O Apocalipse — A América do Sul é bem estabelecida como uma região hostil a presença Garou em todo o cânone de Lobisomem, este é o domínio dos Fera, ainda bastante rancorosos em relação às relativamente recentes agressões Garou durante a segunda Guerra da Fúria. Porém, a cultura africana e nativa, refletidas no Pacto Palmarino, podem nos oferecer alguns tons adicionais de cinza para enriquecer esse cenário.
Afinal, na África, há uma longa tradição de cooperação dos Peregrinos Silenciosos com os Fera, que remonta à Liga Osiriana, onde Garou, Mokolé e Bastet se uniram sob a liderança de Múmias Amenti para combater a influência dos Seguidores de Set sobre o Antigo Egito, tento sucesso algum tempo, até serem sobrepujados, como relatado nos suplementos Rage Across Egypt e no Livro de Tribo Revisado dos Peregrinos Silenciosos.
Além, disso, a presença de tribos Bastet e dos Ajabas na América (como estabelecido no suplemento Rage Across the World, da terceira edição), os relatos de Mokolé que migraram da África para a América em busca de resgatar seus parentes escravizados (como estabelecido no Livro de Raça Metamórfica Mokolé) e a presença pacifica de Uktenas e Fúrias Negras na América do Sul, anterior a Segunda Guerra da Fúria (estabelecida nos suplementos Rage Across The Amazon e nos respectivos livros de tribo), abrem a possibilidade de laços muito mais próximos entre Garou e Feras, laços que poderiam ser explorados a partir da trama do Pacto Palmarino.
Com a proximidade do Apocalipse e o avanço das forças da Wyrm, filhotes idealistas de diferentes tribos e raças poderiam buscar restabelecer o antigo pacto, enfrentando a oposição rancorosa de seus anciões, sobre algo que aparentemente já demonstrou estar fadado ao fracasso. A busca por maiores detalhes sobre a origem e a queda de Palmares e do lendário Pacto Palmarino poderia levar uma matilha multi-tribal (ou um insólito bando multi-racial de metamorfos) ao encalço de changeling elegbara, Anciões Mokolé ou Arquimagos Bata’a em uma jornada sobre suas origens e sobre o que realmente está em jogo em relação ao Apocalipse vindouro.

Em Mago: A Ascensão — A história Bata’a é conturbada ao longo das edições de Mago, originalmente apresentados como um Ofício Discrepante que se recusou a se unir ao Conselho das Tradições, eles foram aprofundados no suplemento Book of Crafts, da segunda edição (não disponível em português). Na terceira edição foram incorporados às fileiras das Tradições Verbena e Oradores dos Sonhos, até ressurgirem como o maior dos Ofícios, liderando a Aliança Discrepante ao lado dos Vazios, na Edição Comemorativa de Aniversário de 20 anos de Mago: A Ascensão.


Em Mago, os Bata’a deveriam representar a cultura e as tradições dos religiões afro-americanas usufruindo de laços bem estabelecidos no cânone tanto com os Mokolé, quanto com os Exus. Infelizmente, da forma como foram apresentados, acabam muito limitados à cultura Vodu do Caribe e Sul dos EUA. O Pacto Palmarino, nos oferece uma chance de corrigir isso, dando maior destaque à cultura afro-brasileiras dentro desse Ofício.
O cânone de Mago estabelece que o Ofício Bata’a foi formalizado como tal apenas no século XIX, por iniciativa de Magos estadunidenses de Nova Orleans, mas sinaliza a participação do que seriam precursores do Bata’a na revolução de escravos no Haiti, ainda no século XVIII. Ocorre que a história de Palmares, o primeiro “Estado Negro” rebelde no Novo Mundo, remonta aos primeiros relatos da presença de Quilombos na região da Serra da Bariga, ainda no final do século XVI. Essa localização estratégica na história de resistência negra na América, poderia, através do Pacto Palmarino, colocar o ramo Brasileiro dos Bata’a em um lugar de destaque, como os mais antigos precursores do maior e mais importante Ofício Discrepante da atualidade. Certamente, muitos segredos e talvez algumas relíquias perdidos sobre a origem Bata’a poderiam estar ocultos em algum lugar do Brasil, talvez aguardando um ousado aprendiz em dicas presentas nas antigas histórias sobre Palmares preservadas pelos sábios Rezingões Obá do Brasil ou nas profundezas da Mnese de um reverenciado Mokolé de ascendência africana que mantem seu refúgio nas profundezas das regiões selvagens da caatinga ou da floresta tropical.

Em Changeling: O Sonhar — Vindos ao Brasil principalmente a partir do sangue e dos sonhos dos negros feitos escravos na América pelos colonizadores europeus, os Elegbara, changeling de origem africana, certamente demonstrariam grandes afinidades com a concepção de mundo e costumes observados entre as fadas nativas da América. É muito razoável supor que a luta ombro-a-ombro contra a opressão dos colonos europeus faria nascer fortes laços de afinidade e empatia entre esses povos, de forma análoga ao que foi observado historicamente entre quilombolas e alguns povos indígenas que de resistiram ao domínio português, de tal forma que Exús, Obás e até mesmo, Aithu de ascendência africana poderiam ser considerados irmãos pelos gallain nativos. Neste contexto, o Pacto Palmarino poderia oferecer uma justificativa e referência inicial para uma marcante, porém limitada, presença Obá em território brasileiro, o que permitiria uma maior independência e organização dos Exus brasileiros em relação as cortes kithain.
Como sugestão para crônicas propomos o estabelecimento secreto de duas “famílias” Obá no Brasil, representando duas vertentes complementares da nobreza Elegbara que decidiu tomar territórios no país como seus protetorados, regendo discretamente os Exu de origem africana nessas terras e unidas muito mais por laços de identidade cultural do que por consanguinidade. Uma delas teria se estabelecido na Bahia e seria conhecida como o Família Nagô da Bahia, cuja ancestralidade remonta aos povos iorubás que um dia foram embarcados à força nos portos da atual Angola para serem escravizados no Brasil. A outra seria conhecida como a Família Jejé do Maranhão, eles se estabeleceram ao norte e reivindicam a herança dos povos daomeanos embarcados na Costa de Mina, no Golfo da Guiné, em direção às lavouras brasileiras. Ambas traçando sua origem à lendária Rainha Aqualtune de Palmares e cada uma delas, estrategicamente posicionada nos limites que demarcam a região nordeste, por onde se iniciou a colonização do país.
A relação entre essas duas Famílias poderia ser tanto de rivalidade interna como de aliança contra inimigos externos, tradicionalmente, uma família assumiria o aspecto Ojo (Seelie), enquanto a outra se deixaria reger pelo aspecto Iku (Unseelie), dividindo honras e responsabilidades como regentes ocultos de seu povo e mantendo um certo equilíbrio social perdido na sociedade kithain.
Como contadores de histórias e auto-intitulados guardiões das tradições oral de seu povo, essas duas antigas Famílias Obá preservariam, sob perspectivas diferentes, talvez até mesmo antagônicas, as lendas e canções sobre Palmares e o Pacto Palmarino, o que poderia levar jovens jovens Fúrias Negras interessadas na verdade sobre as lendas da Dandara, Galliard Peregrinos Silenciosos ou aprendizes Bata’a, sedentos pelas histórias de seus ancestrais, cruzar seu caminho.

Agradecemos mais uma vez a galera da página Brasil in the Darkness do Facebook por permitir compartilhar essas postagens incríveis. Amanhã tem mais.

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