Vampiros Para O RPG “A Bandeira Do Elefante E Da Arara”.

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O RPG “A Bandeira do Elefante e da Arara”, escrito por Christopher Katensmidt, e publicado pela Devir, é um cenário no qual os jogadores interpretam personagens, e vivem aventuras, em um Brasil colonial de fantasia heroica, com várias criaturas e seres sobrenaturais do folclore nacional sendo ameaças para nossos aventureiros. O livro trás a descrição de várias criaturas sobrenaturais que povoariam esse universo fantástico contado no livro. Seu Bestiário vem com 33 páginas descrevendo desde criaturas conhecidas do nosso folclore, como Curupiras, Sacis, Mulas-Sem-Cabeça, Boi-Tatá, passando por algumas pouco faladas, como Uakti, Mingusoto, ou a Cotaluna. Apesar disso senti falta nessa lista de criaturas sobreanaturais dos Vampiros. Antes que alguém diga que vampiros não fazem parte do nosso folclore já fiz um artigo aqui para o blog onde abordo um suplemento para GURPS chamado Blood Types (que vc pode ler AQUI) que descreve vampiros de várias partes do mundo e de várias culturas. Ele é um grande guia para se entender o folclore do vampiro e trás informações sobre este mito para serem usadas como ideias em sua campanha ou aventura. Mesmo que você não jogue GURPS o suplemento vem com dicas bem genéricas para serem adaptadas para qualquer cenário ou sistema. Entre os vampiros descritos no livro existem alguns do folclore africano, português e brasileiro que podem ser adaptados para “A Bandeira do Elefante e da Arara”. Vejamos alguns deles.

ADZE

Anita Alomii, famosa vampira Adze.

O Adze é um vampiro originário de Gana e do Togo, particularmente mais conhecido entre as tribos Ewe. Ele é uma entidade sobrenatural que possui uma forma humanoide pequena e deformada, de pele negra e dentes afiados cinzas, mas quando quer assume uma forma humana atraente.  Ele se esconde das vistas humanas durante o dia na forma de insetos, de preferência moscas, e por isso podem apresentar em sua forma humanoide noturna características de insetos, como olhos multi-faceteados e asas translúcidas. O Adze não sofre dano ao ser exposto ao sol, nem perde poderes, apenas não podendo assumir forma humana. Em “A Bandeira do Elefante e da Arara” um vampiro Adze pode ter chegado ao Brasil nos porões de um dos navios negreiros, que chegavam ao Brasil vindo da África trazendo pessoas que foram escravizadas pelos portugueses para trabalharem nas fazendas do território colonizado por eles. Devido a sua capacidade de se transformar em inseto ele conseguiria com facilidade se esconder da vista humana, se alimentando das suas vítimas enquanto dormiam, sem levantar suspeitas. Ele pode ter vindo para o Brasil por vários motivos, como por exemplo: a tribo da qual ele se alimentava foi toda aprisionada e ele decidiu acompanhá-los para saber o destino deles; curiosidade sobre os portugueses e o novo mundo de que tanto falam; ou porque era perseguido pelos Zangbetos, feiticeiros locais que protegiam as tribos africanas do sobrenatural (aguardem que em breve irei falar sobre eles). Nas histórias em quadrinhos da Marvel de “A Tumba de Drácula” e “Blade” é citada uma vampira Adze de nome Anita Alomii, que foi transformada em vampira, matou seus próprios filhos e depois consumiu metade de sua tribo.

 

ADZE
Tamanho: A ou H (depende da forma escolhida, inseto, geralmente mosca, ou humana)

Movimento: 0 ou 3 (novamente dependendo do tamanho)

Habitat: Matas, próximas a povoados
Número: 1

Ataques físicos: Morder 2 (dano: especial), Golpear 3.

Resistência: 25. Caso o Adze seja decapitado ou queimado ele morre na hora.

Defesa Passiva: 0
Defesa Ativa: 3

Especial: Drenar Resistência (Especial), Mudar de Forma (Inseto/Humano), Controlar Insetos, Controlar Animais.

Toda vez que o Adze é bem sucedido em um ataque de morder, na forma humanoide, ele drena uma quantidade de Resistência da vítima igual ao seu nível no ataque +1 por turno. A vítima precisa ser bem sucedido em um teste de Força Física para se livrar do Adze. Se não conseguir o Adze drena sua Resistência mais um turno, podendo a vítima fazer outro teste. Se a vítima morrer do ataque do Adze ele se torna um Adze também na noite seguinte. Em sua forma de inseto o Adze drena apenas 2 pontos da vítima e vai embora. Toda Resistência drenada da vítima pode ser usado pelo Adze para aumentar sua Resistência, até o seu máximo, ou para usar seus poderes, ao custo de 2 pontos por poder usado. Ele pode controlar enxame de insetos ou um grupo de até 4 animais das matas.

ASANBOSAM

Outro vampiro também conhecido pelas tribos africanas é o Asanbosam, uma criatura misteriosa que vive nas árvores, possuindo dentes de ferro e características vampíricas. Ele seria uma criatura que também aterrorizava as tribos de Gana, e que segundo sua lenda possui pés na forma de ganchos, o que lhe facilita a ficar pendurado em árvores aguardando suas vítimas. Este Vampiro não está descrito no Blood Types, mas achei interessante em adicioná-lo a lista por ser também uma espécie de vampiro africano.

ASANBOSAM
Tamanho: H

Movimento: 1 (quando no chão) ou 3 (nas árvores)

Habitat: Matas
Número: 1 a 4

Habilidades: Acrobacia, Força Física, Português, Tupi, Ioruba.

Ataques físicos: Agarrar e Morder 2 (dano: especial)

Resistência: 25

Defesa Passiva: o
Defesa Ativa: 3

Especial: Ataque Surpresa, Drenar Resistência (Especial).

O Asanbosam drena pontos de Resistência como descrito pelo Adze acima.

JARACACAS

Vampiros Para O RPG “A Bandeira Do Elefante E Da Arara”. | O ...Temos também nosso próprio vampiro, as Jaracacas que são uma variação das Lamias da Grécia antiga. As Jaracacas já foram citadas por mim em outro artigo, quando apresentei os Apoanu-Apyabaiba, uma tribo de xamãs brasileiros presentes no RPG Witchcraft da Eden Studios. Eles são mais encontrados no norte do país, próximo a região do Amazonas e sua floresta. Eles adotam a forma de uma serpente quando vão caçar e invadem as cabanas de suas vítimas a noite. Segundo a tradição indígena, suas presas favoritas são mulheres que estão amamentando, de quem se alimentam do leite materno. Se ela gostar do sabor do leite, ela voltará, de novo e de novo. As Jaracacas produzem secreções no peito de suas vítimas que as levam a insanidade com o tempo. Caso sejam atacadas por alguém as Jaracacas podem esguichar o seu veneno a vários metros de distância. Esse vampiro só bebe sangue se não conseguir o leite materno. Elas podem controlar outros répteis e são imortais. A única maneira de derrotar uma Jaracaca é decapitando-a.

JARACACA

Tamanho: I

Movimento: 6

Habitat: Floresta
Número: 1 a 5

Habilidades: Rastreamento 2, Controlar Répteis 3, Imune a Armas Normais.

Ataques físicos: Morder 2, Envenenar 3, Drenar Resistência (Especial).

Resistência: 35

Defesa Passiva: 2
Defesa Ativa: 4

As Jaracacas drenam resistência como descritos pelos vampiros acima e pode controlar répteis que estejam próximos a elas para atacarem seus inimigos.

BRUXSAS

Outra boa ideia para criar vampiros para inserir em aventuras no Brasil Colônia é usar as Bruxsas, vampiras originárias de Portugal que se transformaram em vampiras por usar magia negra. Elas gostam de beber sangue de crianças e geralmente as usam em seus rituais. As últimas Bruxsas podem ter deixado Portugal por conta da Inquisição e encontraram nas Terras de Santa Cruz, o atual Brasil, um refúgio perfeito para se esconderem dos caçadores.

Tamanho: H

Movimento: 3 (forma humana) 6 (forma de pássaro)

Habitat: todo território
Número: 1 a 7, formando um coven de bruxas

Habilidades: Português 2, Espanhol 2, Persuasão 2, Encantar 3, Poderes de Fôlego 3.

Ataques físicos: Morder 2, Drenar Resistência (Especial)

Resistência: 15

Defesa Passiva: 0
Defesa Ativa: 3

As Bruxsas podem usar de Poderes de Fôlego descritos no livro, de preferência os malignos ou os neutros. Eles alimentam seus poderes com energia que absorvem quando se alimentam das suas vítimas, ou quando fazem rituais que acumulam energia. Elas drenam resistência de suas vítimas como descrito acima pelos outros vampiros.

Espero que tenham gostado e em breve teremos mais artigos sobre “A Bandeira do Elefante e da Arara”. Até a próxima.

4 pensamentos sobre “Vampiros Para O RPG “A Bandeira Do Elefante E Da Arara”.

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