Campanhas Com Múltiplos Sistemas.

Antes de mais nada gostaria de pedir desculpas aos meus leitores pela falta de atualização do blog. Além das complicações normais que temos no dia-a-dia estou envolvido em vários projetos diferentes, o que acabou reduzindo ainda mais o pouco tempo que tenho para sentar e escrever. Prometo vou tentar publicar mais e manter o blog mais ativo.

O papo hoje é sobre campanhas utilizando mais de um sistema de RPG. “Como é que é?”, deve você estar se perguntando. Explicarei.

682897Como mestre sei que as vezes bate aquela frustração de estar em uma campanha com os amigos, utilizando um determinado sistema, e quando você olha pra sua estante existem vários outros livros de RPG por lá que você também gostaria de estar usando, mas aí fica aquela situação de ter que bolar toda uma nova história, motivações e complicações para a narrativa, o que faz com que o mestre prefira continuar só com aquele sistema que já vem usando devido a todo trabalho que vai ter ao tentar usar outro sistema. Na verdade não precisa ser assim.

Dependendo de como o mestre imaginou sua história, o que ela envolve, quais personagens e vilões estão presentes nela, e principalmente o tempo no qual a aventura acontece, pode-se usar sistemas de RPG diferentes para contar a mesma história. Isso depende muito mais da história do que das escolhas de sistema que você quer usar, porque às vezes a escolha acontece de maneira natural. Vamos a um exemplo prático.

b42ae-vampiroAtualmente estou narrando uma campanha de Crônicas das Trevas que envolve a procura por parte dos personagens presentes na trama por um livro conhecido como Codex de Gambino. Os jogadores interpretam pessoas normais dos dias atuais que tem interesse por magia e ocultismo. Os jogadores montaram personagens seguindo as regras do livro básico e começamos a aventura. A história vem se desenrolando e naturalmente avançamos alguns personagens para as regras presentes em Second Sight, um suplemento do sistema de Crônicas das Trevas já analisado neste blog (clique AQUI para ler). O detalhe é que a introdução da aventura eles fizeram uns meses antes em uma one shot de Mago: O Despertar, durante um dos Encontros de Jogos Analógicos da Dungeon Capixaba, usando outros personagens, sem nem mesmo saberem. Só perceberam que os atuais personagens estão na continuação da mesma história mais tarde, quando descobriram uma pista relacionada ao livro através de um depoimento de um NPC falando sobre a aventura que os jogadores estiveram com outros personagens. Parte da história do Codex será contatada mais tarde usando o sistema de regras de Este Corpo Mortal, quando irei narrar como o livro chegou ao Brasil através de magos que o roubaram da biblioteca do Vaticano, enquanto sua origem será contada usando In Nomine, durante as Cruzadas na Idade Média, e explicará a participação de Anjos e Demônios na saga deste livro, além de contar a história da Bruxa de Évora.

DeLoyal-REDENão está descartado ainda o uso de Pesadelos Terríveis e de Déloyal para contar a história do Codex. Pesadelos Terríveis iria cobrir a história daqueles que desejam usar o livro de maneira errada e como seus pesadelos influenciam nessa escolha. Já Déloyal contaria o cerco da cidade do Acre pelos Templários, no século XII, e como os árabes fizeram para tentar derrotar as forças invasoras e tentar salvar o livro de cair nas mãos dos cavaleiros que foram até lá para roubá-lo e usá-lo em benefício próprio.

Ou seja, muda o sistema, introduzem-se novos personagens, mas a história principal continua, contando a trajetória do Codex até os dias atuais, o que facilita bastante para o mestre na hora de planejar tudo. O fato de mudar o sistema não é apenas para que o mestre possa dar giro aos seus livros de RPG, mas também porquê existem sistemas nos quais suas mecânicas ajudam a contar determinada parte da história, ou porque parte da descrição do cenário daquele RPG permite avançar um ponto da história. Não há a menor dúvida que uma aventura de alta magia deve-se usar Mago: O Despertar ou Witchcraft, e portanto as sessões com uso de poderes mágicos e grandes rituais teriam esses sistemas como os mais indicados. Já se o mestre gostaria de contar uma história onde os jogadores estão isolados e sofrem uma pressão psicológica devido a essa condição, Abismo Infinito seria o ideal, por exemplo.

terraAs vezes o mestre pode optar por fases da campanha usarem RPGs diferentes, mas usando os mesmos personagens, apenas criados em outros sistemas, o que é bem legal. Uma campanha mística envolvendo a luta contra as criaturas dos Mythos de Cthulhu poderia ter personagens criados com Chamado/Rastro do Cthulhu que ao final da história ficam completamente loucos, como na maioria das vezes acontece nesses sistemas. Aí em uma segunda fase da campanha o mestre usaria Witchcraft com os jogaodores transformando seus personagens em Mockers (para saber mais clique AQUI), pessoas que enlouqueceram ao entrarem em contato com as criaturas dos Mythos, foram curadas após tratamento intensivo de muitos anos de internação, e agora usam o conhecimento adquirido por este contato para combater as criaturas que ameaçam nossa existência. Talvez um deles acabe preso pela polícia devido a algum crime que cometeu durante a campanha, algo comum também nesse tipo de aventura, e a história desse personagem possa ser contada a partir de agora usando Desafiantes, e como este personagem usa sua raiva e frustração, por estar preso, em lutas clandestinas no presídio ao que foi enviado, com as lutas sendo gerenciadas pelo diretor de lá, que também é servo do Cthulhu. Depois o mestre pode contar como o planeta acabou sendo dominado pelas criaturas dos Mythos, que foram convocadas com sucesso pelos cultistas que os adoram, e agora o mundo está devastado por elas, fazendo de Terra Devastada: Edição Apocalipse uma boa pedida para continuar a história, com os personagens vivendo em um mundo dominado por zumbis e criaturas saídas de outras dimensões enquanto tentam reverter tudo, ou apenas se manterem vivos. Se o mestre quiser mais ação nessa fase da história talvez possa colocar os personagens como caçadores de criaturas sobrenaturais usando Monstro da Semana ou Savage Worlds em conjunto com o Compêndio de Horror. Ou talvez os personagens queiram registrar em vídeo, para as futuras gerações, uma tentativa de expulsar as criaturas do nosso mundo com um ritual mágico, e uma das sessões de jogo o mestre pode usar A Fita, para tentar dar a sessão o clima de filmes como Cloverfield e Bluxa de Bair.

Enfim, o que desejo mostrar é a total viabilidade de se misturar sistemas para contar histórias longas ou campanhas apenas com o mestre tendo o cuidado de planejar antes como irá fazer para transitar de um sistema para o outro, aproveitando o que cada um tem de melhor para contar sua história. Garanto que os jogadores irão gostar, já que é um exercício bem interessante para os jogadores quando eles transferem seus personagens criados inicialmente em um RPG para outro, fazendo com que a interação e a imaginação do jogador sobre o personagem e a história se amplie muito mais.

Se gostaram, ou não, do artigo deixem seus comentários abaixo. Vamos ampliar nossa troca de ideias e nossas experiências. Um grande abraço a todos.

 

 

 

10 pensamentos sobre “Campanhas Com Múltiplos Sistemas.

  1. Um texto “foda” sou novo no mundo dos RPGs e encontrei um grupo na cidade que montam eventos para jogarmos e em apenas uma partida me viciei, mas não é para contar a minha história em RPG e sim que esse post me ajudou bastante a melhorar, porque sempre gostei da ideia de “mestrar” e saber que posso misturar as histórias e tentar criar uma história com todos os pontos amarrados de forma coesa e coerente. Obrigado pelas dicas irei estudar e jogar mais e colocar suas dicas para ”mestrar” minha primeira aventura.

    • Valeu, Paulo! O objetivo é este mesmo. Compartilharmos ideias e técnicas de narrativa para que nossas histórias se tornem cada vez mais viciantes para nossos jogadores. Um abraço e visite sempre o blog.

  2. Ótimas ideias, André!
    Eu estava justamente organizando umas aventuras para usar nesse sentido, pra poder usar mais livros e sistemas e até, vez ou outra, os próprios cenários diferentes, pra lançar novos desafios aos jogadores.
    Pensei em começar com The Strange, que já tem uma temática voltada para a exploração de novos mundos de jogo.
    Vou usar essas dicas q vc deu, com certeza!

    Abraço!

  3. Boa. Acho que minha campanha changeling-Mago vai acabar em Shadowrun-Eclipse Phase!!!
    (infelizmente fica difícil encaixar meu Paranóia….ou, quem sabe…)

    • Boa, mas pode ser mais ousado. Que tal se a história que vc está contando em Dragon Age avançar a tal ponto que uma magia congela os personagens por séculos, ou os envia através do tempo, para um futuro onde eles se deparam com o cenário de Shadowrun, RPG que está em pré-venda pela New Order? Conhece?
      Talvez o mal que eles queriam derrotar os venceu parcialmente e eles agora no futuro descobrem que o antigo inimigo ainda está lá, e eles precisam se adaptar aos novos tempos para vencer o inimigo.

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