5 RPGs Que Você Precisa Jogar Em 2017.

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Listamos cinco RPGs que todo mestre ou jogador precisa conhecer e jogar este ano. Alguns estão chegando ao mercado brasileiro, enquanto outro só os deuses é que sabem quando estarão disponíveis nas prateleiras das lojas. Vamos então dar uma olhada na lista e entender porque eles devem estar nas mesas em 2017.

1 – Savage Worlds Compêndio de Horror

Savage Worlds foi publicado no país há um certo tempo, pela Retropunk Publicações, em um financiamento coletivo que foi um sucesso, mas que teve problemas na entrega o que acabou criando uma espécie de frustração em todos os mestres e jogadores que esperavam ansiosos por este RPG genérico, que na minha avaliação tem tudo para preencher uma lacuna deixada por aqui desde que a Devir parou de publicar GURPS.

Talvez por causa dos problemas causados no primeiro financiamento do livro básico, SW não tenha caído inteiramente no gosto dos jogadores, talvez também porque os suplementos para o livro básico vieram em sua maioria na forma de PDF. Eis que ano passado a Retropunk resolveu fazer um novo financiamento coletivo de SW, desta vez com metas para impressões dos Compêndios de Superpoderes, Sci-Fi e Horror.

Eu narro aventuras de SW, um sistema que eu acho ágil, fácil de ensinar e bem divertido devido ao baralho de aventura, que adiciona uma dinâmica diferente e mais emoção nas sessões sempre que um jogador faz uso de uma de suas cartas, mas tenho que confessar que nunca achei o sistema bom para uso em histórias de horror, já que eu sempre o achei mais voltado para ação do que mistério. Entretanto tive a oportunidade de ler o Compêndio de Horror e pude desfazer esse mal entendido na minha cabeça. Histórias de horror podem sim ser contadas em SW e o Compêndio de Horror te prepara direitinho pra isso.

Escrito por Paul Wade-Williams, Shane Lacy Hensley, Clint Black, Piotr Korys, Joel Kinstle e Mike McNeal, o livro trás novas complicações para os personagens, que deixam o cenário mais no clima de horror, assim como novas vantagens, sendo boa parte delas sobrenaturais, Ele também permite criar e jogar com personagens além de humanos, como Anjos, Demônios, Vampiro, Lobisomem, Dhampyr, etc. Há regras para choque de retorno de magia (Paradoxo?), perda de sanidade (Cthulhu?), e vários rituais. A lista de magia não é extensa, mas há um bom número de itens arcanos para uso em campanha.

O ponto alto do livro na verdade é sua lista de criaturas sobrenaturais para serem usadas como antagonistas. São 57 páginas recheadas de vários monstros e ideias para usar em sua campanha. No final há um capítulo dedicado a ajudar o narrador a contar sua história de horror, com dicas para criação das histórias e como dar o clima necessário para a aventura. Para jogadores que curtem o horror e gostariam de jogar um RPG com muita ação também, vale muito a pena dar uma olhada no livro. Com valor de R$50,00 o jogo pode ser adquirido na loja da Retropunk clicando AQUI.

2 – Terra Devastada – Edição Apocalipse

Um dos meus escritores de RPG favorito é John Bogéa. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão Abismo Infinito, que eu simplesmente adoro, e a primeira edição de Terra Devastada, um RPG de sobrevivência em um mundo tomado pelos zumbis, que eu tive a oportunidade de jogar, mas não consegui comprar porque havia esgotado. Eis que ano passado ele resolveu fazer uma segunda edição do Terra Devastada, completamente remodelada, e com um estilo parecido com Abismo Infinito, e lançou em financiamento coletivo uma campanha para publicar o livro pela Retropunk, com essa nova edição sendo chamada de Terra Devastada – Edição Apocalipse. A campanha bateu todas as metas estipuladas e desde setembro do ano passado já está sendo entregue para os financiadores, faltando apenas os extras aos financiadores que, se tudo der certo, serão entregues em fevereiro deste ano, segundo Guilherme Pizzato, representante da Retropunk.

O livro ficou primoroso com um texto excelente, como de praxe nos livros de Bogéa, e uma arte impressionante. Uma das coisas que mais me atraiu no livro foi que ele foge dos padrões tradicionais de RPG e boa parte das histórias é ambientada no Brasil. Os personagens citados nas histórias, as agências federais, e os lugares, são todos brasileiros, com alguns deles nos ligando a cenários na África portuguesa e no Haiti, onde existe uma missão de paz da ONU atuando liderada pelo exército brasileiro.

Outra diferença da maioria dos RPGs com zumbis, é que aqui não existe apenas uma explicação para o início do surgimento dos mortos-vivos. No primeiro capítulo do livro há seis contos que ajudam ao mestre definir a maneira como começou o apocalipse zumbi em sua história e ajudam a dar um clima para a aventura. Essas histórias, contadas como se fossem um relato de uma repórter investigativa brasileira, fala sobre um paciente zero na África, passa por um culto vodu no Haiti, chegando a um vírus liberado a partir da China, existindo, portanto, muitas hipóteses para o início do apocalipse zumbi.

As regras de construção de personagem são simples, sem lista de perícias ou vantagens e desvantagens com valores. Simplesmente o jogador descreve seu personagem com algumas frases, características e escolhe uma condição temporária para ele. Pronto seu personagem está pronto para a história. Os testes são feitos com dados simples de seis lados e conforme uma característica o ajuda dados são adicionados ao teste, e caso uma ou mais características o atrapalhem, ele perde dados.

O livro básico vem ainda com ideias para montar sua campanha, uma aventura introdutória simples e vários personagens prontos para dar início a sua aventura sem muito preparativo. Altamente recomendado para quem curte histórias que envolvam zumbis ou temas como o fim da civilização. O livro pode ser adquirido na loja da Retropunk, no valor de R$80,00, clicando AQUI.

3 – A Penny for My Thoughts

A Redbox Editora vai trazer para o Brasil um dos RPGs Indies mais legal dos últimos anos. Em A Penny for My Thoughts, escrito por Paul Tevis e publicado originalmente pela Evil Hat, os jogadores perderam a memória e estão em um instituto para doentes mentais tentando recuperar suas lembranças e trazer sua vida de volta. Ele é um Storygame (jogo de contar história de maneira coletiva), onde os personagens precisam recuperar suas memórias que vão sendo aos poucos reveladas durante uma sessão de terapia no Orphic Institute for Advanced Studies. Usando um sistema simples e direto que não precisa de preparação nem da construção de fichas extensas e complicada, A Penny, usa o mestre como um médico, orientando a terapia dos jogadores com a ajuda de gatilhos que vão pouco a pouco definindo a cena e respondendo perguntas e recebendo respostas a fim de que todos consigam construir uma grande história. Fácil de ensinar e de jogar o jogo é indicado inclusive para jogadores que nunca tiveram experiência com RPG antes.

No jogo cada jogador escreve uma frase em um pedaço de papel e a partir dali ele começa a recuperar sua memória. Ele conta uma parte da história e o médico (GM) dá uma possibilidade de continuação da história para ele. Outros jogadores podem fazer a mesma coisa e ele deve escolher uma das opções para continuar a história. O uso de moedas, que são repassadas aos jogadores, é usado como mecânica do jogo como gatilhos que disparam as lembranças.

A Redbox anunciou em sua página que em breve ele estará em pré-venda, mas caso você queira conhecer o jogo pode adquirir sua versão PDF em inglês no site do Drivethru RPG clicando AQUI.

4 – Múmia, a Maldição

O Mundo das Trevas sempre foi um lugar onde várias criaturas sobrenaturais estão presentes, tentando levar adiante suas vidas amaldiçoadas e cheia de inimigos. Entre essas criaturas estão as múmias, que nem de perto chegam próximo a tríade vampiro-lobisomem-mago na preferência dos jogadores quando pensam em criar um personagem para jogar neste cenário, mas garanto que se você conhecer a nova versão de Múmia, você vai mudar de ideia.

Todo o Mundo das Trevas foi remodelado pela Onyx Path alguns anos atrás, terminando com ele e fazendo surgir o Novo Mundo das Trevas, agora intitulado Crônicas das Trevas. Começou fazendo suas mudanças primeiro pelos títulos mais famosos, chegando até aqueles menos populares. Múmia não estava entre os campeões de venda da antiga White Wolf, e por isso a Onyx Path decidiu fazer um campanha de financiamento coletivo no Kickstarter para lançar a nova versão, que foi chamada de Mummy: The Curse (ou Múmia: A Maldição, em tradução livre). A campanha foi bem sucedida e o resultado ficou espetacular.

Diferente de sua versão anterior, chamada de Múmia: A Ressurreição, onde as múmias eram imortais conhecidos como Amenti, homens e mulheres dotados de poderes, enviados pelos deuses mais sábios do panteão egípcio para restaurar o equilíbrio (ou Maat) na Terra, na nova versão, escrita por Greg Stolze, eles eram servos de feiticeiros sacerdotes, chamados de Shan`Iatu no Egito Antigo, que devido aos serviços prestados ao Deus Duat foram agraciados com o Rito de Retorno, onde seus corpos foram mumificados, podendo despertar séculos mais tarde como imortais, chamados de Arisen.

Dormir durante vários séculos trás algumas desvantagens, já que a múmia precisa ser protegida durante esse tempo contra saqueadores e outros inimigos sobrenaturais. Para isso as múmias criaram Cultos com mortais leais que acreditam que ela é algum tipo de deus, obedecendo as ordens de seus mestres e passando a tradição de geração em geração. Esses cultistas são capazes de executar um ritual que acorda a múmia para pedir um favor ou algo do tipo. Esses cultistas devem defender com suas vidas as Múmias.

Assim como em todo cenário do Mundo das Trevas as Múmias são divididas em associações aqui chamadas de guildas. Elas são cinco e determinam que tipo de personagem sua múmia é. Entre os inimigos das múmias estão saqueadores de tumbas, caçadores e outras múmias, como a infame Sexta Guilda, composta por cultistas de uma guilda que quase foi destruída pelas outras cinco no final do império egípcio.

Mas o mais legal de Mummy: The Curse é sua ambientação que coloca os jogadores em cenários como Kabul, no Afeganistão, bem no meio dos conflitos do Oriente Médio, ou no Rio de Janeiro, entre as favelas cariocas. Aliás a aventura pronta que vem no livro básico começa com os jogadores despertando de suas tumbas bem no meio a uma guerra de cultos na favela Dona Marta, localizado no Cosme Velho, com a aventura passando por outros lugares famosos do Rio como a praia de Ipanema e a favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá.

Acho que só por isso Mummy: The Curse já merecia entrar na lista de qualquer jogador de RPG para este ano, mas ele trás também 286 páginas contendo o livro básico e o Storyteller’s Handbook tudo junto. Além disso está pronto para ser publicado o suplemento Cursed Necropolis: Rio última meta do financiamento coletivo que falta a ser entregue, e que detalha melhor a cidade do Rio de Janeiro e seus personagens como um cenário para campanhas de Múmia. Para aqueles que como eu preferem jogar em um cenário nacional é sensacional essa ambientação, já que pela primeira vez o Brasil terá uma de suas principais cidades como cenário de um título internacional de RPG importante.

Se quiser saber mais sobre Mummy: The Curse visite o blog dos Cronistas das Trevas, blog parceiro especializado nos cenários do Mundo das Trevas, que fez uma resenha completa do cenário, clicando AQUI. Quem quiser adquirir o livro, visite o site do Drivethru RPG e compre o seu, clicando AQUI.

5 – 7º Mar

Eu não precisaria falar muito além de: “Gente, é do John Wick“, e só isto bastaria para que 7º Mar estre na lista, mas ele tem outros atrativos sensacionais, entre eles que este RPG será publicado pela New Order Editora, empresa que vem trazendo o que há de melhor do RPG internacional para o Brasil com uma qualidade impecável. O livro foi financiado em uma campanha no Catarse que arrecadou R$107.295,00 e liberou várias metras extras. Mas sobre o que é o 7º Mar?

É um cenário sobre pirataria, sociedades secretas, duelos de capa e espada, feitiçaria e muita conspiração. O cenário, inspirado no período da Renascença, se passa no mundo de Théah, onde cada país do cenário se assemelha a um país da Europa, e é cercado pelos sete mares, sendo que apenas seis são realmente conhecidos. O 7º Mar é um segredo, cheio de histórias e lendas, onde poucos são aqueles que navegaram por ele e conseguiram voltar.

7º Mar foi lançado inicialmente em 1999 pela Alderac com um sistema próprio, baseado em D10, chamado Roll & Keep (R&K), o mesmo de Lenda dos Cinco Anéis. O jogo venceu Origins Award na categoria “Melhor RPG” de 1999 e deu origem a um jogo de cartas colecionáveis além de duas revistas em quadrinhos publicadas pelo Studio G. Em 2015 a Alderac anunciou que havia chegado a um acordo com a John Wick Presents e passou os direitos de publicação do cenário. Wick remodelou o sistema e o cenário, mantendo sua essência, transformando o livro em um sucesso. É essa versão de 7º Mar que chega ao Brasil.

Quem quiser conhecer com mais detalhes seu sistema de regras e criação de personagens visite o blog Mundo Tentacular, que fez um artigo detalhando esses aspectos, clicando AQUI.

Agora só falta você escolher o cenário, separar os dados, ou moedas, dependendo do sistema, juntar a galera e começar a jogar. Ah, não esqueça de nos contar depois como foi a sessão. Um grande abraço a todos.

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