O Clube dos Sobreviventes.

tumblr_o0yfafaa5n1qz5rxno1_1280

Capa da edição #3.

Capa da edição #3.

Já imaginou como seria a vida dos personagens das histórias de terror do cinema ou da TV depois que o filme acaba e os créditos sobem? Como seriam eles depois de tudo pelo que passaram? E se tivessem escapado, mas falhassem em derrotar o monstro que os perseguiam? E se juntassem para caçar um dos monstros? Por exemplo, os sobreviventes da franquia “Sexta-Feira 13” que conseguiram escapar do maníaco Jason Voorhees, ou então os que sobreviveram ao serial killer Mike Myers da franquia “Halloween“, ou as crianças do filme “Invocação do Mal“, que viram sua mãe ser possuída por uma entidade maléfica e sua casa controlada por espíritos assustadores. Como teria sido a vida deles a partir de então? Enlouqueceram? Tiveram mais experiências sobrenaturais, ou nunca mais viram nada parecido?

Essa é a premissa básica de Survivor’s Club, uma série de nove revistas em quadrinhos da linha Vertigo da DC Comics, escrita por Lauren Beukes e Dale Halvorsen, com arte de Ryan Kelly, que contam uma história que envolve seis pessoas que sobreviveram ao contato com o sobrenatural e de alguma forma tentam levar sua vida adiante. Como é de se esperar, uns melhor do que outros.

Na série temos vários personagens interessantes, como Simon, um cara que quando criança teve sua casa atacada por um poltergeist e que teve os seus pais desaparecidos. Sua história motivou a compra dos direitos do ocorrido para a publicação de um livro e vários filmes sobre sua casa, mas que não se conforma que todos conhecem o ator que o interpreta nos filmes, mas não ele, a verdadeira vítima de tudo.

Alice, e sua boneca serial killer.

Alice, e sua boneca serial killer.

Temos Alice, que tem uma boneca serial killer idêntica a ela que anda, fala, e as vezes se faz passar por sua dona. Ou Harvey, que tem como amigo imaginário, e assassino psicopata, uma versão do Slender Man, chamado Sr. Vazio, que gosta de esquartejar vítimas inocentes, e o qual ele não consegue se livrar.

Ou então Teo, um médico que quando criança foi atacado pela Lady Osso, uma criatura meio humanoide, meio inseto, que depositou nele ovos dos quais surgem pequenos insetos que atacam pessoas quando saem do seu corpo. Ele procura outras vítimas dessa infecção, além da própria Lady Osso para se vingar.

Existem ainda Chenzira, uma sobrevivente de um jogo de videogame que tinha a capacidade de abrir um portal para a entrada em nosso mundo de uma criatura de outra dimensão, e que ficou com estigmatas na palma de suas mãos na forma do controle dos joysticks, e Kiri, uma jovem oriental que carrega o espírito de sua tia em uma mochila e que ela usa para aplicar aquilo que considera justiça contra pessoas que mereçam ser punidas.

Esses sobreviventes, agora crescidos, terão que enfrentar seus fantasmas anos depois de que eventos ocultos que experimentaram no ano de 1987 ressurgem e acabam unindo todos em uma mesma trama.

Essa série ainda não saiu no Brasil e espero que a Panini, que detêm os direitos de publicação das histórias da Vertigo aqui no Brasil, traga em breve essa história porque é muito interessante e bem contada. Enquanto isso que tal pegar a ideia de um grupo de sobreviventes de antigos eventos sobrenaturais e transformá-la em uma aventura para a sua mesa de jogo em seu RPG de horror favorito? Aposto que seu grupo de jogo vai curtir. Vejamos algumas ideias.

ABISMO INFINITO

O sobrenatural no espaço.

O sobrenatural no espaço.

Esse é um RPG que eu gosto muito. Horror no espaço, com os personagens estando sozinhos, longe de tudo, me parece ser bem aterrorizante. Que tal se os Argonautas enviados em uma missão para explorar um planeta distante fossem cada um deles sobreviventes de uma história de terror ocorrida no passado e agora essas ameaças sobrenaturais ressurgissem dentro da nave? Será um pesadelo provocado pela febre do sono? Será real? Eles precisam superar seus traumas e derrotar as ameaças antes que se tornem vitimas fatais dessas criaturas. Outra ideia seria fazer o Talos da nave, ou o Nomo, ser possuído por uma entidade sobrenatural e ameaçar a vida dos argonautas durante a viagem. Essa entidade pode ser uma antiga ameaça que quase vitimou um dos argonautas e agora o está perseguindo no espaço acreditando que ali ele não terá para onde escapar.

SAVAGE WORLDS

Simon, um dos sobreviventes.

Simon, um dos sobreviventes.

Uma outra ideia seria colocar os personagens na pele de sobreviventes que cresceram e agora querem vingança, formando mais do que apenas um clube de sobreviventes, mas de caçadores! Os personagens se conhecem em um programa social que ajuda pessoas que sofreram traumas ou abusos quando crianças. Após se conhecerem, e compartilharem suas histórias nas quais foram vítimas de seres sobrenaturais, decidem superar seus traumas caçando seus antigos fantasmas. Usando o Compêndio de Horror pode-se usar, ou criar, várias ameças sobrenaturais que agora seriam alvos de suas antigas vítimas. Talvez o programa social que se propõe a ajudar as vítimas seja bancado por uma empresa estrangeira na qual seus sócios sejam eles também vítimas de criaturas sobrenaturais, e que agora procuram pelo mundo por outras pessoas que sofreram as mesmas situações que eles, procurando ajudá-los a superar seus traumas ao mesmo tempo que dão oportunidade a essas pessoas de se vingarem. Uma das grandes vantagens deste sistema é a variada e enorme lista com adversários já prontos para usar em uma campanha. Adversários ideais para serem usados em uma campanha usando a história descrita nas HQs de Clube dos Sobreviventes seriam O Assassino em Série (pag. 47 do Compêndio de Horror) ou O Possessor (pag. 65 do CH), que poderiam representar o Sr. Vazio; o Boneco de Ventríloquo (pag. 48 do CH) ou Golem Marionete (pág. 74 do CH) para representar a boneca de Alice; Usando Arachnos, A de Muitas Pernas (pag. 58 do CH) combinado com O Enxame (pág. 69 do CH), poderia representar a Lady Osso e seus insetos; Já O Espírito da Emoção (pág. 70 do CH) poderia representar o espírito da tia de Kiri. Além disso na página 49 há a descrição de arquétipos de Caçadores Escolhidos por forças superiores para combater o mal, no estilo Buffy, a Caça Vampiros. O Narrador e jogadores podem optar por jogar nesse estilo ao invés de somente sobreviventes inocentes que escaparam da morte.

MUNDO DAS TREVAS

Chenzira, outra sobrevivente.

Chenzira, outra sobrevivente.

O cenário do Mundo das Trevas é ótimo para explorar a história. Não só pela variedade de monstros e criaturas sobrenaturais que povoam o cenário, mas também pelos livros de apoio ao Narrador. Além do livro básico os suplementos Antagonistas e Lugares Misteriosos, todos publicados no Brasil pela Devir, fornecem histórias e criaturas que podem ser usadas como parte do passado dos personagens e que anos depois voltam para atormentá-los. Na página 29 de Antagonistas existem regras para criação de Imbuídos, criaturas racionais que tiveram suas peças reunidas e montadas a partir de matéria orgânica que podem muito bem representar a boneca da Alice da HQ. São golems que foram trazidos a vida através de uma magia antiga que chegou ao conhecimento do homem através das práticas da Cabala descritas no Torá, o livro sagrado dos Judeus. Na página 41 estão as estatísticas e a história para a utilização de uma bonequinha em sua campanha. Já na página 215 do livro básico do Mundo das Trevas é descrito um Poltergeist, um espírito barulhento cuja presença em um determinado local provoca sons, faz movimentação de objetos e provoca ataques as pessoas, que pode representar a infestação que assombra a casa de Simon. Já com a descrição de um dos Reencarnados, que está descrito na pagina 33 do livro Antagonistas, pode-se criar o Sr. Vazio que atormenta Harvey, e o faz cometer crimes. O Espectro Passional, descrito na página 116 do mesmo livro, pode ser usado para compor a criação da tia da Kiri, um Espírito da Justiça que devora os corruptos e maus, ou os que ele acredita ser merecedor de punição. Na página 128 a descrição da Teia Viva serve para montar a história do Arqueron, jogo eletrônico enfrentado por Chenzira e que tem em seu código um elaborado ritual que permitiria a entrada em nosso mundo de criaturas de outros planos de existência. No cenário do Mundo das Trevas esse plano de existência pode ser a Sombra, ou a Umbra. Finalmente a Lady Osso, que é o tormento de Teo, pode ser criada a partir da descrição na página 125 do Grotnich juntando-se com o Vírus da página 130. Ao invés de um peixe o Grotnich pode ser um inseto que deposita os ovos nos outros passando a infecção pra frente, como o Vírus, forçando as pessoas a cometar atos terríveis antes de sejam chocados. Em suma o cenário do Mundo das Trevas é perfeito para criação de uma campanha de sobreviventes do confronto com o sobrenatural devido a facilidade de criar as histórias dos personagens porque já tá tudo lá mastigadinho para o Narrador nos livros encontrados no mercado nacional.

A FITA

A Fita, de Diego Astaurete.

A Fita, de Diego Astaurete.

Este storygame nacional, lançado pela Retropunk Publicações, de autoria do amigo Diego Astaurete, foi feito para contar histórias nas quais os envolvidos estão gravando toda a ação com algum dispositivo eletrônico como câmeras filmadoras, celulares, etc, a exemplo do que acontece nos filmes da série Atividade Paranormal, A Bruxa de Blair, Cloverfield, entre outros. Na história uma fita de VHS, ou talvez várias, é encontrada em um hospital abandonado, que mostra as sessões de terapias de alguns internos contando como sobreviveram a acontecimentos sobrenaturais no passado que os deixaram tão abalados que tiveram que ser internados para tentarem recuperar a sanidade mental. Ou então um grupo de sobreviventes que gravam seus encontros e as caçadas que realizam para provar a todos que não acreditam em seus depoimentos que tudo é real e que o sobrenatural existe. A Fita é um storygame excelente para uma sessão de narrativa compartilhada, possibilitando uma liberdade criativa enorme para contar histórias deste tipo.

VAMPIRO: O RÉQUIEM

Os vampiros que atacam no frio.

Os vampiros que atacam no frio.

Lembra do filme 30 Dias de Noite, baseado nos quadrinhos com o mesmo nome? Sabemos como a história termina e o final para alguns sobreviventes, mas que tal criarmos mais histórias com outros sobreviventes usando o cenário de Vampiro: O Réquiem? Vasco Sagramor e a equipe criativa do 3dsystem fizeram uma aventura baseada no sistema, que pode ser baixada clicando AQUI, narrando os acontecimentos vistos no filme mas adaptado para o RPG. A história pode prosseguir com os personagens dos jogadores voltando a Barrow anos mais tarde para saber se a cidade está limpa de vampiros ou procurar por parentes e amigos que ficaram para trás. Ou então podem ir atrás dos vampiros que atacaram a cidade em busca de vingança pelos que fizeram com as pessoas que eles amavam. Talvez os vampiros reapareçam na cidade onde agora os sobreviventes estejam morando e eles tenham que se unir para que os eventos do passado não voltem a ocorrer, tentando alertas as pessoas sobre o perigo, sem que essas acreditem neles. Outra ideia seria contar a história dos personagens como carniçais que conseguiram escapar do controle de seus mestres e agora resolvem se vingar dos vampiros que os escravizaram. Eles conhecem os segredos da sociedade vampírica, sabem onde se reúnem e onde se escondem, e por isso tem uma certa vantagem sobre seus algozes. Ao mesmo tempo possuem alguns dos poderes dos vampiros, devido ao Vitae que os alimentou devido a uma boa parte do tempo, e que talvez ainda precisem continuar a beber para se manterem jovens e vivos para terminar o trabalho que se auto-impuseram, o que os faz se sentirem também monstros e por isso manterem-se afastados dos humanos.

OUTROS SISTEMAS

Kiri, e o espírito que carrega na mochila.

Além dos sistemas de RPG mostrados acima existem outros que também podem ser usados para contar a história de sobreviventes, como Changeling: Os Perdidos, Witchcraft, GURPS, Monstro da Semana, entre outros. Escolha o que lhe agrada mais e use a imaginação. A ideia é contar a história de sobreviventes que escaparam da morte em eventos sobrenaturais no passado e que agora voltam a enfrentar seus fantasmas anos depois quando pensavam que finalmente toda aquela experiência aterrorizante tinha acabado. Não há a necessidade de se usar os mesmos monstros encontrados nas HQs. Eles foram citados ao longo do artigo apenas como uma forma de facilitar ao Narrador a encontrar as estatísticas deles nos livros apontados como ideias para contar este tipo de aventura, mas pode-se usar quais quer outros encontrados ao longo dos livros. Lembram-se que além de uma boa dose de tensão e suspense a história deve ter também muita ação e situações onde os personagens escapem por um triz, o que é bem típico de histórias de sobreviventes, apesar de não querer dizer que os personagens irão sempre escapar. Shits happen. Espero que seu grupo de jogo curta a experiência e que todos sobrevivam ao final da história, para que eles também possam contar suas histórias no futuro.

Anúncios

2 pensamentos sobre “O Clube dos Sobreviventes.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s