O Sucesso De Preacher Na TV.

Mesmo faltando dois episódios para o fim de sua primeira temporada, que terá 10 capítulos, Preacher já um dos grandes sucessos da TV no ano de 2016. A série, produzida pelo canal a cabo americano AMC, o mesmo que produz The Walking Dead, é uma adaptação das histórias em quadrinhos publicadas originalmente pela Vertigo, uma divisão da DC Comics, escritas por Garth Ennis (Justiceiro, Helblazer, Authority, Hitman, The Boys), e ilustradas por Steve Dillon (Hellblazer, Homem-Animal), que narra as aventuras de Jesse Custer (um ex-pastor ironicamente possuído por uma entidade chamada Genesis) pelo interior dos EUA em busca de Deus, que ele julga ter abandonado a humanidade. Custer tem como companheiros de aventuras sua ex-namorada, e agora uma mercenária assassina, chamada Tulipa, e um vampiro irlandês alcoólatra com 116 anos chamado CassidyEntre os adversários que Jesse Custer enfrenta pelo caminho há anjos insanos que fazem de tudo para recuperar Gênesis, o famoso Santo dos Assassinos, grupos secretos que desejam o poder de Gênesis, entre outros.

Preacher ganhou vários prêmios dos quadrinhos, entre eles o Eisner de Melhor Série Contínua, o Eisner de Melhor Roteirista, para Ennis, e o Eisner de Melhor Capista para Glenn Fabry que ilustrou as capas da revista. A série teve 66 edições mais 6 especiais (666, sacou?) e foi um marco nos quadrinhos dos anos 90 por ser ao mesmo tempo violento, exagerado, divertido, escrachado, desbocado, debochado e totalmente anti-religioso. Prato cheio para os fãs de quadrinhos adultos que na época já se deliciavam com a fase de Ennis em Hellblazer, que lhe valeram dois Eisner.

Preacher

O atores adaptados para os quadrinhos.

Agora a AMC leva para as telinhas essa adaptação dos quadrinhos, e a essência de suas histórias permaneceu na série. Desenvolvida por Evan Goldberg, Seth Rogen e Sam Catlin, a série conta com Dominic Cooper como Jesse Custer, Joe Gilgun como Cassidy e Ruth Negga como Tulipa nos papéis principais. O trio está muito bem em seus papéis e juntos tem propiciado grandes cenas e diálogos muito característicos das HQs, como a cena de Jesse e Cassidy bêbados debatendo sobre Deus e religião sentados no banco da igreja, ou quando Jesse mostra o poder de Gênesis para o mesmo Cassidy. A primeira aparição de Tulipa também foi bem explosiva e demonstrou todo o potencial de Ruth Negga para a personagem, apesar dos fãs terem feitos críticas por ela não ser loira como Tulipa é nos quadrinhos, como se isso fosse realmente importante para a construção da personagem. Várias cenas gore, bem típicas das HQs de Preacher, também foram exploradas nos 8 primeiros capítulos desta primeira temporada, com tiros, sangue e muita porrada rolando.

Logicamente fãs mais fanáticos não gostaram da adaptação, mas como grande fã dos quadrinhos, e não tão fanático assim para entender que são mídias diferentes, posso afirmar que o resultado até agora é altamente positivo. Lembrando que a série não é feita apenas para quem curte quadrinhos, mas é feita para um público maior, daqueles que agora estão voltando suas atenções para personagens oriundos das HQs que tanto amamos. Dessa forma a apresentação dos personagens, ambientação e tudo mais é feito de maneira diferente, mas muito eficaz.

Cassidy.

O excelente Joe Gilgun como Cassidy.

Estão lá presentes Odin Quinncannon, o Santo dos Assassinos, os anjos Fiore e DeBlanc, O xerife Root, e principalmente o Cara-de-Cu, muito bem interpretado por Ian Coletti com uma maquiagem impressionante. Os produtores da série, e até alguns atores, já afirmaram que esta primeira temporada serie uma prequel da série, como uma introdução da história mostrada nos quadrinhos, com a primeira temporada terminando onde nas HQs começam, servindo mais para apresentar os personagens e suas motivações do que avançar na trama propriamente dita, o que nos faz imaginar o que vai rolar na segunda temporada, pensando no arco de histórias que abre os quadrinhos de Preacher.

Com uma nota média de 8,5 no prestigiado site Imdb, Preacher tem se revelado uma grande surpresa e uma ótima série, dando muito esperança no futuro que mais adaptações de quadrinhos adultos surjam na TV, ou que até mesmo revejam algumas que foram canceladas, como Constantine, especulado que terá uma segunda temporada agora no canal CW, justamente por não explorarem a temática mais adulta que uma série como ela exige.

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4 pensamentos sobre “O Sucesso De Preacher Na TV.

  1. “apesar dos fãs terem feitos críticas por ela não ser loira como Tulipa é nos quadrinhos, como se isso fosse realmente importante para a construção da personagem”

    Sim, é
    A Tulipa é o que os norte americanos chamam de “white trash”, brancos rednecks do Sul
    Eu geralmente apoio mudanças nas etnias dos personagens, mas o problema é que uma white trash precisa ser branca

    • Entendo sua opinião, mas trocar a etnia dela não mudou em nada a história. Entendo que a história se passa no Texas, mas torna-la negra não fez diferença. Temos que lembrar que como é feita para a TV a série atinge muito mais expectadores, e portanto agradaria um público maior. O próprio Ennis, que está trabalhando também na série, gostou da troca. Então…

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