As Mais Novas Polêmicas Nos Quadrinhos.

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Depois de duelarem no cinema, com suas megas produções “Capitão América: Guerra Civil” e “Batman vs Superman: Origem da Justiça” disputando as bilheterias pelo mundo todo, Marvel e DC Comics decidiram criar polêmicas em seus quadrinhos com suas mais recentes publicações nos Estados Unidos. Mas que polêmicas são essas que estão deixando os fãs das duas editoras de cabelo em pé e tem feito alguns fãs até jurarem de morte editores e escritores? Vamos ver neste artigo.

O NOVO REBOOT DA DC (DE NOVO?).

A primeira polêmica veio quando a DC decidiu dar como explicação para seu mais novo reboot em cinco anos, chamado agora de Rebirth, um fato que deixou muitos fãs descontentes, principalmente os fãs do grande “mago” Allan Moore.

Crise nas Infintas Terras, a primeira grande saga da DC.

Crise nas Infintas Terras, a primeira grande saga da DC.

Em 1985 a DC Comics fez um movimento ousado no mercado de quadrinhos. Decidiu dar um reboot em seu universo para poder unir em apenas uma Terra todas as histórias de universos alternativos e Terras paralelas que compunham o Multiverso da editora. A ideia seria tentar juntar tudo em uma única Terra para dar mais sentido aos heróis da Era de Prata (como Jay Garrick, Allan Scott, a Sociedade da Justiça, etc) e heróis vindo de outras editoras compradas pela DC, como a Charlton Comics (Besouro Azul, Capitão Átomo, Questão, entre outros). A ideia de acabar com o Multiverso era porque criava muita confusão entre os leitores.

A saga Crise nas Infinitas Terras, que foi publicada em 12 edições, escrita por Marv Wolfman e desenhada por George Pérez, foi um tremendo sucesso e atraiu novos fãs para a editora que agora podiam entender melhor a origem de cada herói e começar a acompanhar suas novas aventuras. Entre os grandes sucessos da época está “The Man of Steel“, que estabelecia uma nova mitologia para o herói mais famoso e popular da DC, o Superman. Estabelecia por exemplo que nunca existiu um Superboy, que Clark jogou futebol americano no colegial, que seu pai, Jonathan Kent, não havia morrido, além de seus pais ganharem nova importância na sua formação moral. Escrita e desenhada por Jonh Byrne, a revista foi a prova de que a DC havia acertado em sua decisão.

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The Man of Steel, a saga que redefiniu a história do Superman.

Mas aí alguma coisa se perdeu com o tempo. A DC voltou a usar o conceito de Multiverso, principalmente quando decidiu explicar o que havia acontecido com os sobreviventes de algumas Terras, como Superman e Louis Lane da Terra 2, Alexander Luthor da Terra 3 e Superboy da Terra Primordial. Passados 20 anos da mega saga a DC decidiu fazer fazer a saga chamada Crise Infinita, publicado em sete partes pela DC Comics entre Dezembro de 2005 e Junho de 2006. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Phil Jimenez, George Pérez, Ivan Reis e Jerry Ordway prometia ser uma continuação da Crise nas Infinitas Terras, onde ao seu final todos os títulos da editora teriam mudanças dramáticas em seus personagens, dando início a um novo reboot que ficou conhecido como Novos 52, recriando não somente o conceito de multiverso, mas fazendo surgir agora 52 novos mundos, onde em cada um haveria uma versão dos heróis da DC. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre cada um deles, dá uma olhada no site da Gloriosa DC e leia o artigo clicando AQUI.

Os Novos 52 começaram a ser publicados em 2011 e era a grande mudança ocorrida na editora em mais de 70 anos. Títulos da editora, considerados carros-chefes, como como Action Comics, Batman e Detective Comicscom vários fãs através de décadas, teriam suas edições zeradas, com mudanças drásticas de todos os seus personagens, alterando várias de suas características construídas através dos anos, mostrando até mesmo versões muito diferentes do que eram anteriormente. Os Novos 52 inclusive incorporaram John Constantine de novo ao mundo dos super-heróis da DC, coisa que não acontecia há tempos, desde que seu título Hellblazer passou a fazer parte da Vertigo, uma linha de quadrinhos adultos da editora. Posso dizer com todas as letras que foi um grande tiro no pé da editora. Ao invés de atrair novos fãs, conseguiu desagradar os antigos e fazer com que vários títulos tivessem queda nas vendas.

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Novos 52, o mal fadado reboot.

Por conta disso, passado apenas cinco anos de seu último reboot, a DC decidiu fazer um novo reboot (Jesus!), chamando agora de Rebirth, apagando praticamente tudo que foi construído nos Novos 52 e recriando as características de seus principais heróis antes desse mal fadado projeto, prometendo reconectar os leitores aos antigos conceitos do Universo DC, trazendo de volta algumas tradições que foram abandonadas quando os Novos 52 foram adotados. É praticamente a editora dizendo para os fãs: “OK, eu ferrei tudo e agora quero consertar”.

Mas acontece que esse novo reboot já começa com uma polêmica, e não é das pequenas não, é daquelas bem grandes, e que está fazendo vários fãs bufarem de raiva e de preocupação. CUIDADO ALERTA DE SPOILER A PARTIR DAQUI:

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Dr. Manhattan, o criador do Universo dos Novos 52.

Tudo começa com Wally West tentando voltar para seu universo desde que ficou preso na Força da Aceleração ao fim da saga Flashpoint. Rebirth é contado sobre seu ponto de vista. Vale a pena lembrar que a DC gosta de colocar um velocista tendo uma grande participação nas histórias que narram mudanças na sua cronologia, como aconteceu em Crise nas Infintas Terras, Crise Infinita, e Flashpoint. O que Wally West nos mostra é que as mudanças ocorridas na cronologia do universo DC, que levou os heróis a se tornarem os Novos 52, é responsabilidade do Dr. Manhattan, personagem quase onipotente, criado por Allan Moore e desenhado por Dave Gibbons para a série Watchman publicada pela DC em 1986! Isso mesmo. A burrada de tudo, segundo a editora, não foi culpa de nenhum dos seus escritores, mas de um personagem que nem do mundo dos heróis da DC ele faz parte (ou não fazia, até agora). Mas como isso aconteceu? Tudo começaria, segundo alguns especulam, quando ao final de Watchmen, o Dr. Manhattan diz para Ozymandias:

Eu estou deixando esta galáxia por uma menos complicada. Acho que talvez eu até crie alguma [vida humana].”

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Capa da obra prima de Allan Moore.

Essa seria, segundo se especula, a deixa usada pela DC para colocar a culpa pelos Novos 52 neste personagem de Allan Moore, e revoltando os fãs da série. Watchmen, obra publicada em 12 edições, e considerada um dos 100 maiores romances já escritos do século 20 pela Time Magazine, além de ter ganho o Hugo Award e várias estatuetas do Eisner, e Harvey Award. A obra, sucesso de público e de crítica, foi um marco nos quadrinhos por trazer assuntos com temas mais maduros e menos superficiais, mostrando os dilemas dos heróis sobre assuntos morais, como morte, destruição, uso dos poderes e escolhas que eles devem fazer. É um mundo de heróis mais realista, menos Quatro-Cores, como é chamado o estilo de história dos super-heróis que estão sempre do lado do bem e baseiam suas ações em uma moral quase sempre correta.

Segundo Geoff Johns, em entrevista concedida ao jornal USA Today, a relação das histórias dos Novos 52 com seu público estava se perdendo por uma sensação de falta de otimismo e esperança. Ainda segundo Johns a ideia de usar Dr. Manhattan como o responsável pelo universo dos Novos 52 seria acertada devido ao cinismo e pessimismo existente no mundo de Watchmen, e que foi uma das marcas dessa fase da DC. Ao decidir transformar-se em um criador, o Dr. Manhattan teria gerado uma ruptura na cronologia dos heróis da DC, produzindo um universo amargo, sombrio e realista similar ao de Watchmen. A mudança para o Rebirth seria portanto uma oportunidade de trazer de volta o otimismo, a esperança e reconectar os heróis da DC com seus fãs.

Quando começaram a pipocar as primeiras imagens da nova saga, e os fãs souberam da ideia de Johns, a reação do público foi ambígua. Enquanto uma parte achou excelente a ideia de incorporar os personagens da série Watchman ao mundo dos heróis da DC, outra parte odiou e já começou a meter o malho na editora e seus escritores em redes sociais. Entre os que gostaram começou até mesmo a se espalhar teorias de que a participação dos Watchman já estava programada há muito tempo, e que alguns dos heróis deste universo já haviam até dado as caras em algumas histórias da DC. Confiram neste artigo do site Legião dos Super-Heróis clicando AQUI.

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Batman achando o bottom do Comediante na Batcaverna.

Entre alguns desdobramentos possíveis dessa descoberta está a ideia que ao invés de um Coringa, Batman tenha lutado contra TRÊS Coringas diferentes através dos anos sem saber. Como isso é possível? Ao final da saga Darksaid War, Batman se sentou no Trono Mobius que possui como poder um ilimitado banco de dados de conhecimento. Batman queria saber a verdadeira identidade do Coringa, mas ao invés disso descobriu que não existe apenas um, mas três Coringas: o Coringa da pré-Crise nas Infinitas Terras, o Coringa do fim dos anos 1980 (com a imagem tirada de A Piada Mortal) e o mais recente, dos arcos Morte da Família e Endgame. E mais, segundo algumas teóricos da conspiração, uma das versões do Coringa pode ser Eddie Blake, o personagem Comediante de Watchman. Como isso é possível? Só lendo a nova saga Rebirth da DC e esperando que tenha sido o último reboot da editora, pelo menos pelos próximos 50 anos, porque senão a salada montada pelos editores tende a azedar.

A série Rebirth está programada para sair no Brasil ano que vem. Até lá vamos ficar nas especulações e nos spoillers que serão dados a partir da publicação da série nos EUA.

A MARVEL E SUA POLÊMICA INSANA.

Não querendo ficar atrás das polêmicas dos quadrinhos, e querendo agitar o público em um momento no qual polêmica é igual a marketing digital gratuito devido as redes sociais, a Marvel resolveu criar um estrago, digamos assim, com um dos seus heróis mais populares, e que segundo a crítica, estava tendo as melhores avaliações dos filmes feitos pela editora: O Capitão América.

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Capa da nova revista do Capitão América.

E qual foi essa polêmica? Para comemorar os 75 anos de sua criação pelos judeus Joe Simon e Jack Kirby, tendo aparecido pela primeira vez em Captain America Comics # 1 (março de 1941) da Timely Comics, antecessora da Marvel Comics, o roteirista Nick Spencer, que escreveu a revista Captain America: Steve Rogers #1, que saiu mês passado nos EUA, decidiu transformar o herói, simbolo da liberdade e da justiça em um agente da Hydra, a organização nazista criada na segunda guerra mundial! Isso mesmo. O Capitão América foi durante todo esse tempo um nazista disfarçado.

Mas como isso seria possível? Nessa edição publicada nos EUA a história da infância de Steve Rogers é recontada. É introduzido uma novidade à vida do Capitão, onde sua mãe seria vítima de violência doméstica por seu marido, e de repente recebe a visita de uma misteriosa mulher chamada Elisa Sinclair, que defende Sarah Rogers e a convida a integrar uma comunidade que pode ajudá-la: a HYDRA. Mais tarde na mesma revista é visto uma cena na qual o Capitão América persegue o Barão Zemo, que pegou Erik Selvig como prisioneiro. Depois de se livrar de Zemo e de Jack Flag, Steve Rogers diz para Selvig: “Hail HYDRA“. Foi o suficiente para fãs do herói se revoltarem em todo mundo.

Existe até mesmo um vídeo, publicado no Instagram, de um fã revoltado queimando essa edição #1, que já se tornou histórica, e depois ameaçando de morte o escritor da revista. A crítica está dividida. Enquanto alguns acham que foi uma decisão muito esperta da Marvel, outros criticaram a editora devido a história dos seus criadores, ambos judeus e que lutaram contra o anti-semitismo, usando inclusive a imagem do Capitão América como símbolo dessa luta durante os anos da Segunda Guerra Mundial, quando o herói aparecia em histórias lutando contra os nazista na Europa.

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A imagem que causou toda a polêmica.

Tanto o escritor, quando o editor da revista, Tom Brevoortjá declararam que o Capitão América que aparece na revista não é um clone, nem está sob nenhum controle da mente, ou algo parecido, e que ele é realmente o Steve Rogers. Segundo o site OmeleteStan Lee, que reintroduziu o personagem no mundo contemporâneo pós-Segunda Guerra na HQ dos Vingadores a partir de 1964, comentou durante a MegaCon, que acontece em Orlando, na Flórida, que a ideia de um Capitão América filiado à Hydra é louca, mas uma boa ideia:

É uma ideia esperta demais! Eu não sei se eu chegaria a pensar nela, em fazer do Capitão um agente duplo. Mas ela vai deixar todo mundo curioso, vai fazer você ler os quadrinhos… Eles provavelmente vão transformar isso num filme, então não posso reclamar.”.

E assim, de polêmica em polêmica a indústria dos quadrinhos vai fazendo os fãs comentarem sobre as mudanças, aguardando ansiosamente o mês seguinte para ir nas bancas e comprar sua revista favorita. Para quem dizia que com o surgimento das novas mídias digitais a revista impressa estava fadada a desaparecer, a indústria dos quadrinhos mostra que tem muito fôlego pela frente, e muitas ideias para deixar seus fãs curiosos sobre o que vai acontecer com seu personagem favorito.

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4 pensamentos sobre “As Mais Novas Polêmicas Nos Quadrinhos.

  1. Sensacional resumo dos fatos, Velhinho. Ainda bem que não chamou o Gustavo Tenório pra comentar, porque ele deve estar abalado psicologicamente com tudo isso. Tenório irá rasgar todas os posters tamanho natural do capitão.

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