Batman v Superman: A Origem Da Justiça – Crítica.

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Por Lelo Schirmer.

The red capes are coming

Enfim, chegou o grande dia. A estréia do filme (provavelmente) mais esperado da história da cultura pop. Responsável por levar para a sétima arte e mostrar em “carne e osso” o embate tantas vezes desenhado entre os dois maiores super-heróis dos quadrinhos: Superman e Batman.

E é justamente o impacto visual o ponto mais forte do filme. Ambientação e caracterização (efeitos sonoros, cenografia, fotografia e figurino) impecáveis, embaladas pela trilha sonora grandiosa (o que favorece muito a imersão) de Hans Zimmer, preparam terreno e oferecem todas as condições para que o último filho de Krypton e o morcego de Gotham triunfem nas telas.

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A Santíssima Trindade dos quadrinhos.

Sim, Superman e Batman estão lá de uma maneira extremamente convincente. E, até quando, no momento crucial, o roteiro do filme escorrega feio, são personagens muito bem construídos e muito coerentes na relação entre seus históricos, suas motivações e suas ações. Para desespero dos haters, Ben Affleck entrega simplesmente O MELHOR Batman/Bruce Wayne do cinema, não só no visual, mas também na interpretação de um indivíduo desiludido e desgastado, ainda que incansável no cumprimento de sua missão. Usar um Batman “velho” foi uma das idéias geniais dos produtores. Já Henry Cavill é O Superman desta geração, muito mais complexa que aquela maniqueísta da guerra fria que permitiu a Christopher Reeve ser o herói que lutava pela “verdade, justiça e estilo de vida americano”. Embora continue personificando o poder e a bondade, Kal-El não pode mais se dar ao luxo de ser ingênuo ou submisso. Infelizmente, tal como no primeiro filme, há muito Superman e pouquíssimo Clark Kent, o que dificulta a conexão entre ele e o espectador. Tudo indica ser uma escolha consciente do diretor, para reforçar a divindade do herói, mas simplesmente não combina com o personagem que, apesar de tudo, sempre se esforçou para ser humano.

Orbitando em torno dos protagonistas, os coadjuvantes também funcionam muito bem. É bem verdade que a Mulher Maravilha merecia uma imagem mais forte (literalmente) e que Lex Luthor poderia ser um tipo psicopata menos “doidinho” e mais “gênio do mal” sombrio  (mesmo que só nos momentos mais íntimos), mas os dois têm ótimas cenas com os personagens principais. Também Lois Lane, Martha Kent e Alfred Pennyworth, estão bem caracterizados e funcionam como os “grilos falantes” de Clark e Bruce e apesar do inevitável pouco tempo de tela, proporcionam momentos e diálogos marcantes. Enfim, definitivamente não é dos atores a culpa do filme desandar da metade para frente.

Acontece que o diretor Zack Snyder e os demais envolvidos no projeto – exageradamente pretensioso desde o início – resolveram construir o enredo de Batman V Superman com base em duas sagas excepcionais dos quadrinhos (que serão prontamente identificadas pelos leitores), mas com propostas muito diferentes e que, portanto, não conseguem se conectar.

O roteiro parte das críticas (justas) feita ao anterior, com Bruce Wayne sendo uma metáfora do espectador de O Homem de Aço (o filme mesmo), em mais uma sacada genial e numa cena antológica. A partir daí, se desenvolve num ritmo cadenciado, com diálogos afiados, alternância entre os personagens e cenas de ação numa escala adequada, com efeitos visuais que servem ao filme (e não o contrário).

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O vilão, Apocalipse.

Mas, de repente, a edição se perde e, com ela, o controle narrativo do diretor, que parece querer resolver tudo apressadamente e incluir mais e mais elementos da mitologia DC (inclusive apresentação desnecessária e em bloco de personagens da Liga da Justiça, num momento inoportuno e de forma a retirar todo o impacto de suas presenças). É como se Snyder, até então fazendo o que faz melhor e claramente bebendo das boas lições de Christopher Nolan, deixasse a direção do longa para Michael Bay. A perspectiva muda completamente e a edição confusa só piora quando o roteiro recorre a soluções muito preguiçosas, seja para justificar o confronto do título (e, pior ainda, para decretar seu fim), seja para explicar o vilão. Então, o filme que vinha se desenrolando como potencialmente o melhor já feito do gênero super-heróis, deixa de ser verossímil, escorrega além do limite do aceitável, tenta desesperadamente se salvar com excesso de computação gráfica e termina desperdiçando um dos momentos mais emblemáticos dos quadrinhos, porque já não tem o peso dramático necessário para sustentar suas cenas.

É mesmo uma pena, mas o veredicto é que Batman V Superman: A origem da Justiça começa muito bem, mas quando o trem descarrilha, já não há mais um Superman para salvá-lo.

Tell me, do you bleed?” You will”

Em tempo: sim, os trailer entregaram quase tudo (e mesmo assim conseguiram cortar algumas ótimas cenas deles do filme).

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