Jogamos “A Fita” E Aprovamos.

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Algumas das artes de Bogéa para o livro.

Recentemente durante a realização do 4º Encontro de Jogadores de RPG e Boardgames da Dungeon Capixaba tive a oportunidade de conduzir pela primeira vez uma sessão do RPG “A Fita“, de autoria do capixaba Diego Astaurete, com design feito pelo talentoso John Bogéa (autor dos RPGs “Terra Devastada” e “Abismo Infinto“), e lançado pela Retropunk Publicações. O jogo é baseado nos filmes do estilo found footage onde alguém com uma filmadora na mão acaba filmando toda uma sequência de acontecimentos que terminam de maneira bizarra ou trágica. Como descrito no próprio livro do jogo: “Trata-se de uma história contada a partir de fragmentos de filmagens amadoras, uma história do ponto de vista da câmera, transmitindo para o espectador uma visão limitada e angustiante dos fatos.” Cada jogador assume o papel de diretor e narra partes da história que está contida no vídeo que é encontrado por alguém. Cada narração é determinada por um tempo o qual o próprio narrador daquela cena determina ao gastar pontos de vídeo, na razão de 1 ponto de vídeo por cada 15 segundos de narração (sim, é preciso de um cronômetro por perto). Quando termina seu tempo o jogador ao seu lado assume a narração e cria então a cena seguinte, ou dá continuidade a anterior.

Com isso em mente, e munido de todo material necessário para poder conduzir a sessão (lápis, cópias das fichas fornecidas no livro, meu celular com app para marcar o tempo e marcadores para os pontos de vídeo), reuni um grupo formado por Ramon Moure, Lucas Marques, Victória e Pedro Henrique para jogarmos. O jogo segue o esquema atual dos RPGs narrativos-colaborativos indie, bem no estilo de “Fiasco“, onde não há um mestre ou moderador e todos contribuem para a construção da história. Começamos definindo alguns aspectos básicos da história, como local onde aconteceria, época ocorrida e personagens. Decidimos que era um casal de americanos em nova lua de mel, passando o carnaval em Barranquilla na Colômbia (aproveitando um gancho de ideia minha a respeito de como aproveitar o tema carnaval nas aventuras de RPG, que pode ser lido clicando AQUI). O vídeo seria casual e o tempo era livre.

A Fita

A Fita cumpre com sua proposta.

Pedi para ser o primeiro a ser o “diretor” e então criei uma câmera filmadora que estava de posse do um dos personagens principais da história e gastei apenas 15 segundos da filmagem, apenas para criar um clima e ver o que os jogadores iriam fazer a partir dali. O que pude presenciar em seguida foi um grande momento de construção coletiva de uma historia. O sistema flui de maneira fácil e agradável, com cada participante entendendo que estamos juntos construindo uma grande historia de suspense e terror. Os jogadores gostaram bastante do sistema e ficaram empolgados com a história. Todos se sentiram responsáveis pela condução da aventura e as partes de edição, quando um jogador assume o papel de “editor” e pede para o que acabou de narrar mudar algo na parte contada, foram bem tranquilas e sem problemas.

No final a história, resumidamente, foi a respeito de um vídeo que a polícia colombiana estava analisando, feito durante a viagem dos americanos no carnaval de rua de Barranquilla que mostra a mulher deste casal sendo levada do centro da cidade, onde estavam curtindo a festa, para uma praia deserta por homens vestidos todos de preto e com máscaras brancas. Neste local eles pareciam querer invocar alguma coisa que não deveria estar neste mundo, e a mulher, depois de drogada e vestida com roupas estranhas, parecia conduzir o ritual. Um padre exorcista apareceu no local e disse saber de tudo e que iria ajudar o americano, mas no final deu tudo errado, o padre morreu, vários cultistas também e a mulher desapareceu. O homem foi internado em uma clínica para doentes mentais em Barranquilla enquanto a polícia fazia as investigações do caso, já que ele foi encontrado no local completamente perturbado e dizendo coisas sem sentido. A polícia mostrou para o homem que o padre que apareceu no local era o mesmo que os havia casado anos atrás e era amigo da família da mulher dele por muitos anos ali na Colômbia. Ela era colombiana de nascença, mas havia ido para os EUA ainda pequena e recebeu cidadania americana. No fim quando o policial deixa o local a mulher dele, com a máscara branca do culto, aparece no quarto, atrás dele saindo das sombras. Final que dá margem para uma continuação, bem no estilo destes filmes.

A Fita.

Vale a pena conferir o livro.

A sessão foi muito divertida, os jogadores muito agradáveis e todos ficaram empolgados de ter dado tão certo as partes em que um contava uma parte do vídeo e o outro continuava. Eu recomendo para todos a compra do livro de “A Fita”. Pode parecer que estou puxando a brasa para a sardinha de um produto feito por um amigo meu e que é da terrinha, mas realmente o jogo vale a pena ser comprado. Quem tiver interesse em comprar o jogo clique AQUI. Para aqueles que querem conhecer o quick start de “A Fita” ele pode ser baixado clicando AQUI. Se quiser baixar uma aventura introdutória para jogar “A Fita” clique AQUI.

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7 pensamentos sobre “Jogamos “A Fita” E Aprovamos.

  1. Faço suas as minhas palavras Bial!

    Meus amigos se divertiram muito também. O jogo se desenrola muito melhor do que eu esperava.

    Na minha sessão a galera não passou por aquele “travamento” que ocorre no início de sessões deste tipo de jogo, onde somente após umas jogadas a galera vai se soltando. Eu narrei uma festa em uma casa de campo onde alguns jovens foram passar o fim de semana bebendo e transando. As sequências de cenas se desenrolaram de forma muito bem fluida!

    Muito boa a postagem, grande abraço e até a próxima!

  2. Após a sessão, eu estava comentando com Victoria (empolgadíssima, por sinal) o quanto esses RPGs indies podem ser um alento para o calejado jogador sem tempo ou pego de surpresa. Eu fico admirado como cada detalhezinho do game design da Fita foi pensado tendo em mente a diversão e interação do grupo. E, para mim, narrativa colaborativa é algo sempre muito bem vindo.

    Méritos ao nosso conterrâneo autor, que certamente quero conhecer um dia. E méritos também ao grupo, que criou uma história bacana (com direito a gancho para uma continuação) em conjunto, aproveitando o melhor das ideias de cada um.

    Ótimo jogo e ótima experiência.

  3. Pessoalmente, Eu tenho apreço pelos filmes de terror found footage justo por algumas dos momentos incorrerem no imaginário especulativo do telespectador. Portanto, parabéns aos conterrâneos Diego Astaurete, o autor da obra, por nos brindar com um jogo que consegue captar essa emoção, e, claro, ao André Cruz, o mestre, que consegue trazer o espírito da coisa para a mesa e propiciar diversão ímpar.

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