Usando O Carnaval Nas Aventuras De RPG.

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O carnaval é tempo de jogar RG também.

Este final de semana começa a ser comemorado a maior festa popular do Brasil: o carnaval. É também o período onde boa parte da população rpgística tira para jogar em casa com os amigos ao invés de sair por aí pulando atrás dos blocos e trios elétricos que invadem ruas e avenidas das cidades de norte a sul do país. Nada melhor então do que aproveitar a data e inserir o evento carnaval, que é comemorado em boa parte do mundo também, em uma sessão de RPG como pano de fundo de uma aventura. Vamos então falar um pouco sobre o carnaval e como podemos usá-lo.

A palavra Carnaval vem do latim carnis levale que significa adeus a carne, ou a carne se vai, já que o fim do carnaval marca o início de um período de abstinência e jejum para os cristãos chamado de Quaresma, que dura 40 dias e antecede a Páscoa. Essa data passou a ser adota pela Igreja Católica a partir do século VI d.C. Acredita-se que o carnaval tem suas origens nas festas de fertilidade da Grécia Antiga, mas o modelo moderno de carnaval, com fantasias, desfiles e bailes, seria originária da Era Vitoriana do século XIX, apesar do baile de máscaras de Veneza, famoso no mundo inteiro, ser do início da Idade Moderna.

O carnaval é comemorado em várias partes do mundo sendo que as cidades que possuem as festas mais famosas são as do Rio de Janeiro, New Orleans, Veneza, Nice e Mazatlán, que atraem turistas de vários países que procuram nessas cidades muita diversão e folia. Uma festa como essa é portanto um belo cenário para ser inserido um mistério, a caça a um assassino disfarçado em um baile, ou se evitar uma tragédia. Vejamos quais sistemas e cenários podemos usar para aventuras.

VAMPIRO: A MÁSCARA

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O baile de máscaras de Veneza.

Inevitavelmente Vampiro: A Máscara vem logo a mente como um ótimo RPG para produzirmos uma aventura tendo o carnaval como cenário. Um baile de máscaras em Veneza do Século XVI, com a presença de vários Toreadores, Ventrues, alguns Brujah e até Nosferatus mascarados, dariam uma bela sessão de jogo. Uma duquesa disputada por vários nobres estará presente a festa e os vampiros Toreadores e Ventrues resolvem fazer uma aposta qual deles conseguirá seduzi-la primeiro, enquanto os Brujah e Nosferatu pretendem saber qual sugará a duquesa e depois matá-la, frustando os planos dos outros vampiros ao mesmo tempo que impõem o terror aos mortais depois que souberem da morte da duquesa. Mas cuidado! A duquesa não é uma mortal indefesa, ela é uma caçadora da Sociedade Leopoldo, e está no baile justamente para tentar expor alguns cainitas, se colocando como isca para tirá-los de seus disfarces.

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O Mardi Grass na Bourbon Street, principal rua da cidade.

Além disso o suplemento New Orleans by Night trás em suas páginas a descrição do Mardi Grass, o carnaval mais conhecido no mundo depois do carnaval carioca. Ele chega a durar mais de dois meses com várias festas e festivais de musica espalhados pelos vários clubes da cidade, começando por volta de 06 de janeiro e indo até a conhecida terça-feira gorda, ou terça-feira de carnaval, que é o dia do Mardi Grass propriamente dito. A população na cidade cresce assustadoramente assim como também a população vampírica, já que com tanto “gado” assim disponível vampiros de outras cidades e locais próximos se dirigem para New Orleans para caçar durante este período. Podemos imaginar a quantidade de problemas que trás para o príncipe esse crescimento populacional absurdo e a entrada na cidade de vampiros que ele não conhece e controla. Pode ser bolada uma aventura, ou até mesmo uma campanha, onde membros do Sabá entram na cidade durante os festivais e começam a criar desordem e cometer assassinatos aproveitando a confusão que toma conta da cidade devido ao grande número de pessoas transitando por New Orleans, a grande maioria bêbada e outros sedentos por sexo. Com pessoas fantasiadas transitando pelos clubes e pelas ruas da cidade fica difícil saber quem é quem e como parar os assassinos antes que comecem a chamar a atenção da polícia e da mídia pondo em risco A Máscara.

WITCHCRAFT

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O Festival de Parintins.

Outro RPG bom para se explorar este tipo de tema é Witchcraft da Eden Studios. Muito parecido com o Mundo das Trevas este RPG coloca os jogadores na pele dos Gifteds, pessoas com poderes sobrenaturais que usam suas habilidades para combater o mal que se espalha pelo mundo. Já fiz vários artigos sobre o sistema, que podem ser acessados clicando no marcador Witchcraft na coluna lateral do blog, onde inclusive em um deles usei como cenário a Bahia e seu carnaval. Dentro do universo de Witchcraft o Brasil é citado algumas vezes, tanto pelo grupo de xamãs que vivem na Amazônia, os Apoanu Apyabaiba, quanto pela sede da maior associação de magos que existe na América do Sul, a Irmandade Rosacruz, que está localizada no Rio de Janeiro. Imaginando o cenário do carnaval como pano de fundo podemos usar tanto o carnaval carioca da Marquês de Sapucái, quanto o Festival Folclórico de Parintins, cidade que fica no Amazonas próxima a divisa com o Pará, que acontece na última semana de Junho e onde ocorre a disputa entre os grupos do Boi Garantido e do Boi Caprichoso. No Rio de Janeiro os Rosacruz ficaram sabendo que um grupo de praticantes de magia negra libertaram algumas criaturas infernais na terra, e que agora livres e no meio de mortais eufóricos pela bebida, drogas e enebriados pela luxúria, tem um cardápio variado para saciar seus desejos perversos. Enquanto que os xamãs amazônicos estão tentando evitar que um grande ritual, usando as três noites que duram o Festival de Parintins, seja completado para libertar o Jurupari, o deus dos pesadelos da cultura indígena, que está preso em uma dimensão protegida por rituais de contenção antigos, mas que vem sendo forçado e pode ser rompido se os magos da Brujeria conseguirem usar a população que vai ao festival para canalizar seus poderes, sem que os mortais saibam de nada.

CHAMADO DE CTHULHU

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Quetzalcóatl, a serpente emplumada.

O Chamado de Cthulhu, lançado em português recentemente pela Editora Terra Incognita pode ser usado em uma grande variedade de carnavais pelo mundo em especial os carnavais que acontecem na América Latina, como por exemplo o Carnaval em Mazatlán, no México. O carnaval de Mazatlán tem a duração de 7 dias começando na quarta-feira que antecede ao carnaval, sendo que de todos os carnavais que existem fora do Brasil é o mais parecido com o nosso. Foliões saem as ruas atrás de blocos, acontecem desfiles de fantasias e onde a antiga cultura dos astecas ainda está presente em vários lugares, inclusive no nome da cidade, que significa “lugar do veado”. A cidade tem esse nome devido ao veado ser considerado um dos mais belos animais da natureza e onde na falta de sacrifício humano para os deuses astecas no período pré-colonial eram usados para saciar a sede das suas divindades. Entre os deuses astecas que eram adorados na região, e que podem ser usados como antagonistas na aventura, estão: Tezcatlipoca, Tlaloc e Quetzalcóatl, a serpente emplumada. Os jogadores podem ser cientistas da Universidade Miskatonic estudando sobre a cultura asteca na região quando descobrem uma sociedade secreta que tenta reviver antigos rituais de sacrifício na esperança de trazer seus antigos deuses de volta para nosso mundo e reviver o poder do império asteca. Os rituais irão acontece durante o carnaval devido a um alinhamento de estrelas e porque haverá muitas pessoas bêbadas o bastante para concordar em se sacrificar voluntariamente para os deuses, pensando se tratar apenas de alguma representação da festa.

A FITA

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O carnaval em Barranquilla é quente!

E que tal usarmos A Fita, RPG de horror recém lançado pela Retropunk Publicações, de autoria do meu amigo Diego Astaurete, no qual os jogadores são turistas em algum carnaval pelo mundo, como o de Barranquilla na Colômbia, ou Nice na França, gravando tudo que veem quando começam a desaparecer pessoas e eles conseguem captar com suas câmeras quando uma delas é arrastada para a escuridão e desaparece. Ou então são vítimas de ladrões de órgãos que se aproveitam dos turistas inocentes na região para sequestrá-los e depois vender o que precisam no mercado negro. Com esse RPG as possibilidades são muitas e variadas.

OUTROS SISTEMAS

Exite ainda a possibilidade de ser usado “The Shotgun Diaries” onde o apocalipse zumbi começa justamente no carnaval e as pessoas pensam que os zumbis são blocos de gente fantasiadas (mais trash impossível!), ou em Savage Worlds com auxílio do Compêndio de Horror, onde os personagens usam o carnaval para se isolarem do restante do mundo e decidem fazer uma viajem até uma ilha deserta, mas na qual eles descobrem depois que é habitada por horrores que o homem não deveria saber que existem.

Espero que tenham curtido as ideias e lembrem-se: nessa carnaval não esqueçam dos livros de RPG na folia! Um abraço e aproveitem bastante.

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6 pensamentos sobre “Usando O Carnaval Nas Aventuras De RPG.

  1. No RJ, o Clã Toreador se faz no Carnaval.
    Em Changeling, pode ser uma época fulgaz para a expansão do Glamour local.
    Em Wraith, os acidentes causados nessa época, podem gerar aberturas de Nihils que trarão Spectres para as Shadowlands.
    Muita coisa pode ser feita com essa data dentro do CWoD. 🙂

  2. Gostaria de acrescentar que essa data também poderia ser acrescentada a D&D, muitas tramas podem ser executadas nessa época em que ninguém conhece ninguém.

    • Sim, com certeza! Poderia haver um festival de fantasias dedicado a alguma divindade da fertilidade que acontece 1 vez por ano e dura uma semana em alguns dos mundos de D&D e durante esse período um terrível dragão aparece destruindo os campos e levando morte e destruição para o local.

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