Panini Comics Publica Miracleman No Brasil.

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Por Michael Pratti.

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Miracleman, de Alan Moore.

Miracleman surgiu na Grã-Bretanha em 1954 (inicialmente chamado de Marvelman), pouco depois da publicação de Capitão Marvel ter sido cancelada nos EUA, em consequência do acordo entre as editoras Fawcett e National Periodicals (futuramente DC Comics). A Fawcett era acusada de ter plagiado Superman com a criação do Capitão Marvel. Na verdade, as vendas superiores de Shazam estavam incomodando muito a National Periodicals, que apelou à Suprema Corte com o argumento de plágio.

Foi aí que os ingleses, no mês seguinte à publicação da última história do Capitão Marvel, lançaram a edição Marvelman 25. Foi a maneira que o editor Leonard Miller e o quadrinista Mick Anglo bolaram pra não perder os leitores.

Na edição anterior, Captain Marvel 24, os ingleses haviam incluído quadros que mostravam Billy Batson e Freddy Freeman (Capitão Marvel e Capitão Marvel Jr, respectivamente) manifestando seu desejo de abandonar suas carreiras de heróis pra levar vidas normais. Mas, para felicidade geral do Reino Unido, sucessores dignos foram encontrados. Capitão Marvel virou Marvelman, Capitão Marvel Jr. virou Young Marvelman e a Mary Marvel foi trocada pelo Kid Marvelman. A palavra mágica Shazam foi substituída por Kimota (Atomik de traz pra frente). O vilão Dr. Silvana virou Dr. Gargunza. As origens foram levemente alteradas, mas o princípio básico das histórias se manteve e Marvelman e sua turma fizeram enorme sucesso na Grã-Bretanha até 1963.

Em 1981, o personagem recebeu os roteiros de Alan Moore, desenhos de Garry Leach e posteriormente de Alan Davis. Depois de quase vinte anos, ele ressurgia. O então futuro criador de Watchmen realizou a proeza de redefinir o personagem e sua fase se tornou cult. Não vale antecipar o que foi feito (mesmo com as informações podendo ser encontradas em sites de busca, para não estragar as surpresas).

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A família Miracleman.

Aqui entramos, com o relançamento mensal pela Panini. Na primeira metade da HQ, vemos Mickey Moran nos anos 80 adulto e casado e trabalhando como repórter. Apesar dos pesadelos, Moran segue para uma matéria arriscada e tensa. De repente ele se lembra da palavra mágica, Kimota. Novamente transformado no galante herói Marvelman, ele volta correndo pra casa. Lá chegando, conta tudo à sua esposa que, após ouvir estarrecida, cai na gargalhada. Afinal, eram histórias sem pé nem cabeça como as escritas nos gibis para entreter crianças.

As recordações de Mickey Moran eram as histórias criadas por Mick Anglo e seus colaboradores, publicadas por L. Miller & Sons. Com o desenrolar da trama de Moore, os leitores ficam sabendo que as antigas aventuras haviam sido implantadas por cientistas.

Mas uma coisa era certa: Mick Moran realmente ganhava superpoderes quando dizia a palavra Kimota. Tem início, uma das mais geniais HQs de todos os tempos, na qual o perplexo Marvelman vai descobrindo qual é a verdade de seu passado.

Em 1985, as histórias de Marvelman foram para os Estados Unidos. Para evitar problemas com a editora Marvel, rebatizaram a personagem de Miracleman. Alan Moore pôde, então, completar o trabalho interrompido na Warrior Comics, contando com o talento dos ilustradores Steve Bissete e John Totleben, seus parceiros em Monstro do Pântano.

Quando Moore terminou o que tinha a “revelar” sobre o passado oculto de Miracleman, Neil Gaiman assumiu o título. Infelizmente, a Eclipse faliu em 1994. Na época, a arte de uma nova sequência de histórias de Miracleman havia sido encomendada ao brasileiro Mike Deodato Jr.

Em 1997, Todd McFarlane adquiriu os direitos de publicação de Miracleman, mas não fez nada com eles. Na época, correu o boato de que fez isso para oferecê-los a Neil Gaiman a fim de que este desistisse de reclamar direitos autorais por alguns personagens que criou em suas histórias de Spawn, inclusive Angela. O problema só foi resolvido parcialmente em 2009, quando os direitos foram revertidos para Mick Anglo. Foi a partir daí que a Marvel conseguiu negociar a aquisição do herói.

Os temas abordados nas histórias de Moore e Gaiman para Miracleman, bem como a forma com que esses temas foram abordados, foram extremamente influentes e fundamentais para os quadrinhos de super-heróis como os conhecemos hoje.

Marvelman talvez seja o personagem de quadrinhos mais conhecido que ninguém leu, mas este problema agora acabou. Corra para a banca mais próxima e curta este relançamento de menos de R$ 10,00 por mês. Vale muito a pena.

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