“Era Perdida RPG” – Entrevistamos Renan Biazotti.

release-1-img-1

 

renan

Renan Biazotti, autor de Era Perdida.

Essa semana conseguimos conversar com Renan Biazotti, autor do RPG “Era Perdida”. Renan nos contou um pouco sobre o cenário e seus planos para o futuro. Formado em jornalismo pela UNESP, trabalhando atualmente na RB Media e morando em Bauru, Renan se descreve como “um aspirante a autor de histórias fantásticas, personagens marcantes e mundos incríveis“. Vejamos o que ele conversou com Gustavo Tenório nessa entrevista:

Gustavo Tenório – Porque produzir um RPG nacional?
Renan Biazotti – Escrever livros não é minha profissão, nunca ganhei e pretendo continuar não dependendo do dinheiro da literatura para sobreviver. Na verdade, trabalho com desenvolvimento web. Se escrevo, o faço por amor. Desenhei meu primeiro gibi com pouco mais de cinco anos. Me formei em Jornalismo, e mesmo trabalhando na área de exatas, nunca abandonei este hobby. No final de 2010, como fã de RPG desde o AD&D, decidi que um sistema simples seria o primeiro livro que publicaria oficialmente como meu primeiro trabalho. Estava na hora de abandonar os rascunhos e realmente publicar algo, por pior que fosse. Dessa vontade surgiu o Era Perdida RPG, um sistema de regras muito simples (até simplório na opinião de alguns) no qual participei de todas as etapas – desde a escrita, revisão, publicação até a divulgação – contando sempre com a ajuda de amigos e interessados.
GT – Era Perdida completou 1 ano de publicação. Qual o retorno de público e crítica?
RB – Na verdade, o Era Perdida completou 1 ano de distribuição gratuita. A publicação do livro ocorreu como e-book (custando R$ 4,90) no dia 14/02/2011. Ou seja, em breve vamos completar 4 anos do EPRPG. Em seu formato pago, o Era Perdida RPG vendeu mais de 200 acessos. Acredito que seja um público pequeno se comparado aos sistemas publicados e distribuídos pelas editoras, no entanto, para um projeto independente que não contou com nenhum tipo de financiamento – e se tratando de meu primeiro trabalho – eu fiquei muito contente com os números. Depois que o lançamos gratuitamente, mais de 400 leitores se registraram, dando aí um público de 700 jogadores no total. Quando foi lançado em 2011, o EPRPG foi resenhado por vários blogs e sites especializados. A crítica foi bem positiva em geral. A linguagem fácil e as regras simples, além das imagens e o preço acessível, foram destacados pelos avaliadores. Portanto, o saldo foi bem positivo (mais do que eu imaginava). Também existiram críticas. O ponto mais criticado, na verdade, foi a falta de material suplementar – o Era Perdida não possui cenário de campanha detalhado, a lista de magias e equipamentos é bem limitada e não apresenta raças e inimigos. Contudo, a falta de material é justamente um dos pontos centrais da ideia do EPRPG. Quando concebi o sistema, nunca pensei em criar nada disso, pois a ideia é que os mestres desenvolvessem esses elementos com facilidade por conta das regras simples. Para ilustrar, no site oficial (http://eraperdida.com.br/rpg/) separamos quatro reviews.
GT – Era Perdida é um rpg gratuito. Porque escolheu esta forma de divulgação?
RB – Quando o Era Perdida RPG foi lançado, vendemos centenas de unidades (que serviram essencialmente para manter os servidores durante todo esse tempo) e depois de 3 anos, resolvemos dar um novo salto disponibilizando o livro gratuitamente. A decisão de distribuir gratuitamente foi inspirada na ideia de tornar meu trabalho mais conhecido e dar uma nova vida ao EPRPG. A ideia deu certo, pois triplicamos o número de jogadores em alguns meses. Só não fizemos isso antes, pois tinha medo de que a falta de recursos tirasse o site do ar, entretanto, como hoje trabalho com desenvolvimento, conseguimos servidores gratuitos e agora o Era Perdida não corre mais o risco de acabar.
GT – Você anunciou que publicará um ebook sobre Era Perdida. Como é seu processo de criação e como consegue cuidar do site, pensar em novos elementos para o livro e ainda escrever um ebook?
RB – Estou pronto para dar um grande salto na saga do Era Perdida. Um projeto que começou em 2011 e que tem tudo para ganhar vida neste ano. Trata-se do Era Perdida: Reinos do Leste (site oficial: http://www.eraperdida.com.br/), um livro que falará do mundo de Meerã. Meerã é o cenário oficial do EPRPG que foi descrito muito brevemente no livro de regras. Era apenas um exemplo ou base para os mestres criarem seu próprio mundo. Entretanto, como os leitores queriam material para suas aventuras, eu decidi criar elementos para o mundo de Meerã – mesmo esse não sendo o objetivo do Era Perdida RPG. Em determinado momento, resolvi que criar fichas de NPCs e monstros realmente não era o meu objetivo – pois a ideia era que cada mesa desenvolvesse seu mundo original. Então, parei de publicar conteúdo. Entretanto, o processo criativo nunca parou. Aos poucos, com o passar dos anos, muita coisa foi desenvolvida para Meerã. Eu havia criado raças 100% originais, localidades únicas, acontecimentos históricos e mitologia própria. A pergunta era: como apresentar tudo isso? Então, resolvi escrever um romance de fantasia. A história do príncipe Dario e seus amigos é apenas um pretexto para apresentar o mundo de Meerã, suas cidades, raças, culturas, personagens, locais, acontecimentos e mitologia. Essa é a história por trás do livro Era Perdida: Reinos do Leste. Enquanto eu e outros membros da equipe do Era Perdida trabalhamos no livro, vamos lançar um e-book gratuito chamado Era Perdida: O Globo da Morte. Esse e-book, de cerca de 60 páginas, servirá como prólogo para o Reinos do Leste, ao mesmo tempo em que divulga nosso trabalho e oferece uma pitada do nosso talento para que os interessados possam nos avaliar. O processo de criação de todo esse material é trabalhoso, mas muito gratificante. Como o background está bem adiantado, o maior trabalho é transformar todas as informações em um enredo que alie aventura, romance, mistério e, mesmo assim, cumpra seu objetivo de revelar os segredos do mundo de Meerã.
GT – Quais são seus estilos de jogo preferidos?
RB – Minha história com o RPG de mesa começou na sétima série, quando jogávamos AD&D no intervalo ou quando os professores faltavam e tínhamos aula vaga (meu primeiro personagem foi um elfo chamado Silverleaf Halfmoon). Depois do AD&D, joguei Vampiro: A Máscara, D&D 3ª Edição, GURPS e, finalmente, conheci o 3D&T, que se tornou rapidamente meu preferido. Desde cedo gostei da função de narrador, e o 3D&T me dava a liberdade para brincar com as regras (eu nunca gostei de regras, essa é a verdade). Para tornar minhas aventuras mais emocionantes e dramáticas, eu facilmente inventava regras durante as lutas, inimigos que só morriam em situações muito específicas, trapaceava nas rolagens, aumentava ou diminuía os pontos de vida ou a força dos ataques e assim por diante. Por conta disso, os embates eram muito mais lúdicos e as tarefas mais interpretativas. As regras eram apenas um apêndice para dar algum limite para as ações dos personagens. A progressão dos personagens era decidida com base nas necessidades da próxima aventura. Narrei por mais de um ano a mesma campanha para a mesma mesa e, no fim desse tempo, tínhamos praticamente um filme, com muitas e muitas histórias para contar e momentos únicos. Esse meu lado “diretor de cinema” durante os jogos me deu uma grande bagagem para trabalhar escrevendo romances e moldou de forma permanente meu gosto pelo RPG de mesa: sempre dando mais ênfase ao lúdico e menos aos números e rolagens.
Queremos agradecer ao Renan pela entrevista e desejar sorte e sucesso para o Era Perdida RPG. Visitem o site, baixem o pdf e se divirtam!
Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s