Review: Arcadia Quest!!!

 

arcadia_quest

Por Marcelo Groo.

O Arcadia Quest é um jogo PvP (Player versus Player, ou seja, jogam todos uns contra os outros) para até 4 jogadores, criado pelos game designers Eric Lang, e pelos brasileiros Frederico Perre, Thiago Aranha e Guilherme Goulart. Andrea Cofrancesco e o Mathieu Harlaut são os responsáveis pela arte do Arcadia, que é todo ilustrado em estilo chibi (tudo cabeçudinho!!!), com miniaturas e componentes de primeira qualidade.

AQ-setup

O tabuleiro.

O Arcadia é um prato cheio para os fãs de dungeon crawlers e fantasia medieval. A cada partida você poderá jogar um cenário diferente, com setup do tabuleiro, monstros e objetivos próprios, além de poder jogar estes cenários em sequência sob a forma de campanha (durante um cenário os personagens ganham moedas, que usarão na compra de mais equipamentos para o cenário seguinte). O jogo é competitivo (e bota competitivo nisso!), onde cada jogador escolhe um time de 3 personagens que disputarão os objetivos com os demais times: aquele que completar uma determinada quantidade de objetivos primeiro vence a partida.

E combate? Não tem??? Ô… e como tem! Alguns objetivos não envolvem combate (pelo menos não diretamente), mas a maioria é do tipo “Eliminar um personagem adversário”, “Eliminar tantos monstros”, “Eliminar o monstro tal”, etc, ou seja, este não é um jogo para os gamers mais pacíficos.

As regras em geral são bastante tranquilas. No seu turno você escolhe um dos seus personagens, podendo movê-lo e/ou fazer um ataque. Ao atacar você utiliza um dos equipamentos do seu personagem (espadas, arcos, magias, etc) e coloca um marcador sobre o equipamento, indicando que ele não poderá mais ser usado até que o seu time descanse. Esta é a outra opção para o seu turno: ao descansar você não faz nada, mas todos os equipamentos de todos os seus personagens voltam a poder ser utilizados. E o jogo segue dessa forma, com cada jogador ativando um dos seus personagens (ou descansando), e passando o turno para o jogador seguinte.

Arcadia-Quest

Alguns detalhes dos componentes.

Os combates são resolvidos com rolagens de dados de ataque (do atacante, óbvio ) contra rolagens de dados de defesa (do defensor, igualmente óbvio ). O atacante causa uma quantidade de danos igual à diferença dessas rolagens, matando o defensor caso este fique sem pontos de vida. Aqui há dois pontos bem interessantes:

1. Morrer não é necessariamente ruim, já que o seu personagem voltará ao tabuleiro no seu próximo “descanso”, com a vida no máximo e todos os equipamentos liberados para serem usados (portanto, deixar um personagem morrer faz parte da estratégia ).

2. A quantidade de danos causados em um ataque não é restringida pela quantidade de dados que o equipamento permite rolar, pois uma das faces dos dados permite que você role um dado adicional, além de causar o dano (os dados de defesa também tem essa face). Como o efeito é cumulativo, em uma jogada de muita sorte você tem potencial para eliminar qualquer criatura em jogo, independente de quão forte ela seja!!! \o/

E por falar em criaturas… faltou eu falar dos monstros. As regras para os monstros foram uma sacada bastante criativa dos designers do Arcadia… Monstros não pertencem a ninguém, não há uma “fase dos monstros”, e tampouco são regidos por I.A., simplesmente estão ali, na masmorra deles, quietos, vocês é que foram lá encher o saco dos caras. E é na hora que você enche o saco que eles atacam!

Para quem conhece RPG vai ser fácil entender: quando um personagem realiza qualquer ação de movimento ou ataque no mesmo espaço ou em um espaço adjacente a um monstro, este realiza um ataque (“ataque de oportunidade”) e pode se mover (“passo de ajuste”). O jogador à direita do jogador ativo é que realiza as rolagens do monstro e decide para onde ele vai se mover, podendo se beneficiar dessa nova localização do monstro.

Ou seja, apesar dos monstros ficarem parados a maior parte do tempo, eles são importantíssimos para as decisões táticas dos jogadores: se você parar no meio de 3 ou 4 monstros, vai tomar um ataque de cada um quando tentar sair dali!

Para fechar o assunto dos monstros acho que vale citar uma outra regra bem interessante: monstros eliminados vão para uma track (fora do tabuleiro), e quando essa track enche o jogador ativo faz uma rolagem para cada monstro da track. Dependendo do resultado o monstro pode voltar para o jogo (em pontos específico, marcados com tokens), portanto meu caro, não fique tão feliz ao eliminar aquele minotauro boladão… Ele pode voltar para a vingança!!!

Ok, regras básicas comentadas, tudo muito bonito, de muito boa qualidade, mas o jogo é bom???

Antes de jogar o Arcadia eu não me imaginava escrevendo essa resenha, pois prefiro escrever sobre jogos que curti e PvP de Combate de Miniaturas (Skirmish) não é muito a minha praia, mas… que boa surpresa foi o Arcadia!!!

Dois fatores que me agradaram bastante no jogo (além da beleza, é claro… eu sou assumidamente fútil! ) foram a duração – em 45 a 60 minutinhos você encerra uma partida – e a simplicidade das regras e efeitos das cartas, sem que isso comprometesse a grande variedade de decisões e opções do jogo (tanto de equipamentos, quanto de manobras táticas).

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As miniaturas do jogo.

Mas então a vantagem do jogo é ele ser “simplista”??? Não, calma, eu explico… Uma das características mais comuns em jogos de Combate de Miniaturas é justamente a complexidade das regras de manobras táticas (movimento, alcance, linha de visão, etc) e dos efeitos das cartas (habilidades de personagens, equipamentos, itens, etc). Não que isso seja um ponto negativo, muita gente curte esse tipo de jogo exatamente por essa complexidade, mas eu acho cansativo ter que analisar uma dezena de fatores antes de mover o meu personagem e, o pior, ter que conhecer as habilidades e os efeitos de TODAS as cartas em jogo (não só as minhas, mas também as de cada personagem adversário), que normalmente são muitas e com bastante texto… E é aqui que o Arcadia Quest se destaca dos outros!

No Arcadia não existe valor de alcance, o seu personagem enxerga até os limites do tabuleiro contanto que nada impeça a sua linha de visão (menos uma coisa para ficar calculando). E linha de visão tem regras super simples, só é obstruída por paredes ou por espaços com dois personagens adversários (em uma rápida olhada para o tabuleiro você já identifica isso). Movimento? Até 3 espaços, e ponto, você não vai perder muito tempo pensando nisso. E finalmente, tanto as habilidades dos personagens (cada um tem uma diferente) quanto os efeitos dos equipamentos e itens são bastante simples: “+1 dado para defesa”, “+2 dados para ataque”, “recupera 1 de vida a cada acerto”, etc. São bem variados os efeitos, mas em uma rápida olhada você já sabe tudo o que o seu oponente possui e pode fazer.

Enfim… simples, funcional e, principalmente, divertido! Com menos coisas para analisar no tabuleiro sobra mais tempo para a diversão!

Considerações finais?

[ x ] O jogo é dinâmico? check!
[ x ] O jogo é criativo?! check!
[ x ] O jogo é divertido??!! check!
[ x ] O jogo é lindo???!!! check! check! check!!!

Na minha opinião os game designers acertaram a mão no Arcadia Quest!!! Valeu!

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