Savage Worlds: Analisando O Compêndio de Superpoderes.

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É no mínimo curioso que a grande maioria dos títulos de RPG em português sejam de cenários de fantasia medieval ou horror e pouquíssimos sejam de supers-heróis, haja vista que a grande maioria de jogadores e mestres de RPG também sejam fãs das histórias em quadrinhos e que muitos tiveram seus primeiros contatos com o mundo nerd através dessas publicações. Na verdade mesmo os RPGs importados trazem poucas opções nessa linha.

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DC Heroes, um dos primeiros RPGs de Supers.

Talvez o fato seja melhor explicado devido a falta de um sistema de regras que ao mesmo tempo possa simular os combates de super-heróis e a enorme variedade de super poderes sem ser chato ou muito complicado. No passado o famoso RPG DC Heroes, da Mayfar Games, fez bastante sucesso com vários suplementos e aventuras publicadas até ter sua linha cancelada no início dos anos 2000. Quando chegou ao Brasil o suplemento Supers de GURPS chegou a agitar um pouco a galera, mas nada que fosse realmente relevante. Mais recentemente um RPG da Marvel chegou a ganhar prêmios pelo sistema, mas foi cancelado pouco tempo depois devido ao alto custo pelo pagamento do uso da marca sem nem mesmo termos a chance de vê-lo traduzido. Um RPG de Supers que tem feito um relativo sucesso por aqui, com vários suplementos já lançados em português, é Mutantes&Malfeitores, da Jambô. Entretanto mesmo ele parece não ter empolgado muito o público que curte HQs, muito devido ao seu sistema de regras um pouco complexo para jogadores novatos.

Mas eis que a Retropunk lançou recentemente, sem muito alarde, um dos suplementos de Savage Worlds chamado Compêndio de Superpoderes, trazendo novas regras, complicações e vantagens para aventuras no estilo supers. Este suplemento faz parte ainda do turbulento e demorado financiamento coletivo do Savage Worlds, RPG genérico que prometia ser o substituto ideal de GURPS aqui no Brasil. Infelizmente vários problemas ocorridos após o fechamento do financiamento com a demora na entrega de todos os itens fizeram com que boa parte dos mestres e jogadores que tinham participado do projeto desanimassem e assim a entrega do suplemento Supers nem foi muito comentada ou comemorada por muitos. Entretanto o suplemento é muito bom e vale a pena dar uma analisada, principalmente se o grupo de jogo quer jogar uma sessão bem animada de supers no melhor estilo histórias da DC ou da Marvel.

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Crie seu próprio super-herói com este suplemento para SW.

O suplemento é simples e direto, como já é característica dos suplementos de SW. Não tem muita enrolação no seu início e o livro após uma pequena explicação sobre criação de personagens já mostra as novas complicações e o que ele difere dos outros tipos de cenários. São apenas 106 páginas para que mestres e jogadores possam criar seus heróis e vilões favoritos. Uma coisa legal é a definição por parte do grupo de jogo sobre que tipo de aventura irão participar, podendo ser de Jovens Heróis, que começam com menos pontos para comprar superpoderes, Vigilantes Mascarados, mais no estilo “Watchmen“, Quatro Cores, que seriam os heróis que conhecemos dos quadrinhos, Pesos Pesados, com um pouco mais de superpoderes, e Cósmicos, que seriam o nível mais alto de personagem.

As regras de projeção, para simular as explosões e combates mais do que normais nos quadrinhos, dão um toque simples e de graça ao sistema, assim como também o de Super Karma, permitindo que heróis e vilões possam ter mais do que uma complicação maior no inicio da construção de personagem devido a sua condição de super. As regras para formação de equipes também foi bem bolada, dando oportunidade do grupo gastar pontos para ter um quartel-general, que pode ser desde uma pequena sala mal aparelhada em meio a uma grande cidade até um satélite na órbita do planeta.

A parte sobre equipamentos e acessórios poderia ser um pouco melhor. Achei muito simplificada e bem resumida, podendo conter mais equipamentos, principalmente no tocante a Armaduras, já que vários heróis famosos dos quadrinhos usam armaduras, como Homem-de-Ferro, Radical, Cyborgue (se você considerar os implantes como armadura), Azrael, Cavaleiro Negro, Máquina de Combate, Aranha de Ferro, etc.

Monte sua própria super equipe.

Monte sua própria super equipe.

Mas aí chega a parte divertida que é a lista de poderes. Achei a lista bem completa e é bem legal montar seu herói ou vilão com as possibilidades de poderes contidos no livro. As vezes pode parecer que aquele poder que você pensou não está na lista, mas é só dar uma olhada com mais cuidado que ele está lá, e com uma lista de manifestações, ou seja, como o poder seria visto pelas pessoas, que ajudam na hora de montar o personagem. Além disso há uma lista de modificadores para tornar o poder mais barato ou mais caro, caso queira torná-lo mais poderoso ou sua manifestação mais flexível. É bem fácil montar a maioria dos heróis e vilões do quadrinhos com as opções contidas no livro. Existe também uma seção dedicada a superfeitiçaria caso os jogadores queiram aquela sessão de supers com personagens místicos, ao estilo de Dr. Estranho, Sr. Destino, Motoqueiro Fantasma ou a atual fase de Constantine nos Novos 52.

O capítulo seguinte é dedicado a construção do Quartel-General do grupo caso queiram fazer uma equipe de super-heróis que combatem junto os criminosos. Tudo baseado na quantidade de pontos que a equipe possui e com uma boa lista de opções para montar sua “batcaverna“. As possibilidades são muitas podendo até mesmo criar seu QG em outra dimensão.

No final há outra parte bem legal do livro, e que toma boa parte de quase todo Compêndio, que é uma lista detalhada com vilões, desde extras sem muita importância, como capangas e ajudantes dos vilões, até arqui-inimigos lendários. Essa lista facilita muito o trabalho dos mestres na hora de montar sua campanha de supers, além de ajudar em qualquer dúvida sobre a montagem dos personagens. A lista vem com a história completa dos vilões, suas identidades secretas e suas motivações, além de equipamentos e tudo o mais que possuírem e os pontos de criação de personagem permitirem.

Se não é um suplemento absurdamente fantástico ou inovador o Compêndio de Superpoderes tem pelo menos o mérito de ser simples e funcional para aqueles que querem participar de uma campanha de super-heróis com um sistema de regras que promete ser rápido, divertido e furioso. Vamos esperar agora que a Retropunk seja mais rápida na entrega do restante das recompensas do financiamento coletivo para que mestres e jogadores do sistema de Savage Worlds possam se divertir sem ficarem furiosos com a empresa.

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7 pensamentos sobre “Savage Worlds: Analisando O Compêndio de Superpoderes.

    • Valeu, Lyonn! Estou preparando uma aventura completa de supers para publicar aqui a qual eu irei narrar nos dias 11 e 12 de outubro na 2ª Dungeon Capixaba que vai acontecer aqui no ES. E em breve irei comentar também sobre o suplemento “Necessary Evil” do SW.

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