Entrevista Com Autor De “A Fita”.

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Na tarde de ontem a Retropunk Editora anunciou alguns lançamentos impressos visando a World RPF Fest 2014. Entre eles está “A Fita” do capixaba Diego Astaurete que é definido dessa maneira pela editora: A Fita é um jogo de terror que cria um momento trágico captado por diversas câmeras de vídeo em perspectivas diferentes, utilizando a narrativa compartilhada como ferramenta para a construção de cenas, locações e personagens, emulando, assim, filmes estilo found-footage (Bruxa de Blair, Cloverfield, etc.)

Durante a pré-venda (até o dia 14/09), além de 12% de desconto, você ainda recebe o PDF (que será disponibilizado na segunda metade de setembro) e frete free. O livro terá 100 páginas de miolo (preto e branco) e capa cartão. A meta é vender pelo menos 100 unidades durante a pré-venda, mas se, durante a pré-venda, chegar a mais de 250 exemplares vendidos, provavelmente o formato para impressão será duotone do miolo.

Ano passado eu fiz uma entrevista com Diego Astaurete para a revista “Moqueca de Dragão” do grupo RPG na Ilha, do Espírito Santo. Reproduzo aqui esta entrevista.

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Diego Astaurete, autor de “A Fita”.

Dando início a série de entrevistas com os criadores e desenvolvedores de jogos de RPG, cardgames e boardgames, a revista Moqueca de Dragão conta um pouco sobre um capixaba que ganhou notoriedade no cenário RPGístico Nacional graças a seu RPG de horror pessoal, fortemente enraizado na tendência dos jogos Indies. Com vocês, Diego Astaurete!

1 – Fale um pouco sobre você e seu contato inicial com o RPG (quando começou a jogar, como conheceu, com que jogos teve início, etc).
Sou um cara comum, morador de uma pacata cidade chamada Piúma, no Espírito Santo. Curto bons filmes de terror e horror (e os ruins também) e tento sempre tirar algum aprendizado que eu possa inserir dentro de um sistema de RPG. Sou Desenhista e Trabalho durante o dia como Projetista de Edificações em uma Prefeitura de um pequeno município vizinho, mas também faço alguns bicos com Photoshop.
Comecei a jogar RPG em meados de 2000, naquela época eu utilizava um livro de aventuras solo que encontrei na biblioteca da minha escola, chamava-se ABC do RPG, nunca mais ouvi falar dele. Quando descobri que o RPG poderia ser jogado com mais de uma pessoa fiquei fascinado, comprava revistas sobre o assunto, perguntava a alguns jogadores mais velhos que fui conhecendo, até que comecei a jogar 3D&t, Lobisomem o Apocalipse, Vampiro a Máscara, Dungeons e Dragons terceira edição, e desde então não parei mais, minhas melhores lembranças de jogos foi com o Lobisomem. A ideia de desenvolver jogos é antiga, ela surgiu da necessidade de criar minhas próprias aventuras solo enquanto ficava dentro da biblioteca da escola durante o horário de recreio, mas elas só vieram trazer mudanças significativas para mim depois que conheci o blog Garagem RPG, lá eu aprendi a guiar todo o meu aprendizado e focar diretamente no desenvolvimento dos jogos que costumo criar.

2 – Como surgiu a ideia de fazer “A Fita”? Quais foram suas inspirações?
Em uma noite de quarta feira do dia 06/06/2012, eu estava em frente ao computador buscando inspirações para escrever um RPG de terror/horror, queria falar sobre aventureiros mirins que enfrentam monstros que vieram para aterrorizar seu bairro, ao melhor estilo Cine Trash e Sessão da Tarde juntos, mas sentia que isso não me agradava de alguma forma. Foi então que dei uma lida no acervo que se encontra no blog garagem RPG, e lá pude ter contato com a forma de jogo que realmente me agrada, que é a dos jogos Indies, que são rápidos e também muito práticos. Meu inglês é bem básico, então meu acesso de material sobre game design é bem restrito, e tudo que sei devo ao pessoal da Garagem que se disponibilizou a traduzir alguns conteúdos de muito valor para mim. Nessa noite eu resolvi ver um filme chamado “Atividade Paranormal 3”, foi então que um clarão invadiu minha mente, vou fazer um RPG ao melhor estilo Found Footage, e nos dias que seguiram eu pesquisei sobre o assunto e vi o que poderia ser utilizado na concepção do jogo, fui filtrando o tema e cheguei ao jogo que batizei de A Fita.

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Imagens de John Bogéa.

3 – Fale um pouco sobre o jogo.
A Fita é um RPG de narrativa compartilhada onde os jogadores revezam papeis de Diretores e Editores de cenas que irão compor uma história, ao melhor estilo Atividade Paranormal, REC ou A Bruxa de Blair através da perspectiva de diferentes câmeras de vídeo. Ao contrário dos RPGs tradicionais, em A Fita você não tem o “seu” personagem para controlar, sua função é administrar a moeda corrente do jogo, os pontos de vídeo (eles são responsáveis pela duração das cenas que são contabilizadas com a ajuda de um cronômetro), pela inserção de personagens, lugares e câmeras que você deve utilizar durante sua narrativa, mas que nos turnos posteriores podem ser utilizados por outros jogadores.

4 – Como é ser um game designer? Teve ajuda de alguém?
Eu não me considero um game designer, acredito que estaria fazendo pouco caso das pessoas que estudam tanto para adquirir este reconhecimento. Porém, gosto muito de exercitar o que venho adquirindo com o passar do tempo, é muito bom ver que as pessoas dão valor a algo que você desenvolveu com bastante esforço e dedicação. A ajuda que tive para começar a desenvolver jogos veio da observação de jogos já consagrados no mercado, mas também veio do pessoal que está constantemente desenvolvendo seus jogos de forma independente, sem esquecer do feedback que a galera nos dá com a ajuda das redes sociais, tudo isso é maravilhoso.

5 – Existem outros jogos no forno pronto para serem divulgados por você?
Tenho muitos jogos engavetados que precisam ser desenvolvidos, recentemente eu fiz uma parceria com o Matheus Funfas da Esquina dos Mundos para escrever um outro jogo de narrativa compartilhada que faz uso de 2 dados para simular uma roleta russa, cartas de interrogatório e doses de vodca, aguardem novidades sobre isso.Também desenvolvi um quick start de um jogo que aborda Kung fu e poemas Chineses junto ao Jairo Borges Filho (Sombras do Brasil e Postmortem) mas que ainda não está fechado com nenhuma editora.

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Mais algumas das ilustrações do jogo.

6 – Quais são suas influências na criação de um jogo de RPG no Brasil?
Acredito que ver a galera a todo vapor produzindo seus jogos de forma independente acabou me incentivando bastante a fazer o mesmo.

7 – O que você está achando no cenário de RPG brasileiro e a onda de RPG Indies chegando ao país?
Eu acho que isso tudo está vindo para agregar e querendo ou não, tornar o RPG mais popular, eu mesmo consegui iniciar muitos jogadores novos graças ao FIASCO e ao Shotgun Diaries. Tem muito material bom chegando, novas editoras surgindo, outras já consagradas se elevando ainda mais, enfim, estou adorando este momento do RPG Brasileiro.

Para aqueles que não aguentam esperar o quick start de “A Fita” pode ser baixado AQUI. Regras atualizadas que não estão no quick start são encontradas no site do Coletivo Cult.

Quem quiser adquirir o livro clique AQUI que será direcionado ao site da loja da Retropunk. Se quiser baixar uma aventura introdutória para jogar “A Fita” clique AQUI.

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