O Horror Barroco Nas Aventuras De RPG.

vitória noite

Vista noturna da cidade de Vitória olhando-se da Ilha do Boi.

Postei recentemente um artigo chamando a atenção de mestres e jogadores para o uso dos elementos místicos nacionais em nossas histórias de RPG. Esse artigo teve uma grande repercussão e muitos mestres que compartilham o mesmo sentimento que o meu entraram em contato contando suas experiências com aventuras tendo como cenário o Brasil além de disponibilizarem material que usaram nelas.

No último sábado, durante a 16ª edição do encontro capixaba de RPG e Board Games, chamado “RPG na Ilha“, pude dar início a uma ideia antiga que tenho de usar a cidade de Vitória, no Espírito Santo, onde moro, e sua região metropolitana, como cenário para minhas aventuras de Este Corpo Mortal onde pretendo criar um clima e um tom no estilo “Hellblazer” e as histórias da linha “Vertigo“. A esta proposta tenho chamado de “Esta Vitória Mortal“.

Usando uma história de “Hellblazer” como base (como proposto em outro artigo meu que pode ser lido clicando AQUI) coloquei os jogadores de frente com um antigo Deus do Medo africano que estava solto na cidade de Vitória. Os jogadores tiveram que ir até Angola na África para entender o que tinha acontecido e depois de tudo explicado por um feiticeiro africano sobre quem eles estavam enfrentando voltaram a cidade e aprisionaram outra vez o Deus do Medo.

Jéssica, bruxa e psicóloga.

Jéssica, bruxa e psicóloga.

Os personagens dos jogadores eram amigos de infância que tinham em comum o gosto pelo sobrenatural e o estudo da magia, formando uma cabala informal. Eram eles:

  • Jéssica Monteiro, professora de psicologia da UFES e bruxa nas horas vagas;
  • Daniel Garcia, detetive particular e mago urbano;
  • Pedro Fenotti, técnico de laboratório e aprendiz de mago;
  • Carlos Rodrigues, hacker de computador e cyber mago.

Coisas que achei interessante durante a sessão:

  • Os jogadores não estranharam jogar um cenário nacional, muito pelo contrário. O fato de conhecerem a cidade facilitou e muito a movimentação e até criação de algumas cenas;
  • Nenhum problema também em interpretar personagens com nome de Pedro, Daniel, Jéssica e Carlos. Nem tão pouco na hora de pensarem em nomes de pessoas que eram próximos a eles, como por exemplo quando Tainã, interpretando Jéssica, criou seu padrasto de nome Francisco;
  • Levar os jogadores para África foi bem interessante, principalmente porque Angola também fala português, o que deu um tom exótico e misterioso a aventura;

Mestres que desejam usar cenários nacionais em suas aventuras devem pensar nessas alternativas. Não é necessário usar somente as lendas de nosso folclore, como saci, curupira, etc, para dizer que estamos jogando um cenário nacional. Muitos não gostam de usar criaturas de nosso folclore, mas não é necessário se não quiserem. O uso de espíritos, demônios, anjos, além de histórias envolvendo temas africanos, podem muito bem serem utilizados. A respeito disso aconselho uma visita ao site RPG Nacional para entender o que quero dizer. Os autores do blog desenvolveram um tom para as aventuras de horror ambientadas no Brasil que eles chamam de Horror Barroco. Vale muito a pena dar uma lida nos artigos do blog.

Para que vocês entendam melhor o contexto do Horror Barroco reproduzo aqui um pedaço do texto que explica como usá-lo nas aventuras de RPG:

Meio anjo, meio demônio.

Meio anjo, meio demônio.

“Mais que uma expressão artística, o Barroco é uma mentalidade pujante presente entre os brasileiros. E o aspecto Barroco numa história manifesta-se, mais que tudo, no terror e na desesperança.
O terror Barroco é profundamente marcado pela Religião e pela Danação. Deus é Santo e está distante demais dos miseráveis desta terra. Desta forma, é merecido tudo que não presta, e qualquer momento de felicidade ou alivio é favor imerecido do Todo-Poderoso. Ao mesmo tempo, a distancia de Deus deste plano imundo e terrível deixa margens para todo o tipo de espírito, seja anjos, demônios, santos ou seres menos definíveis vagarem pela terra. E, quando o mal ataca, ele o faz aparentemente aleatoriamente, sanguinariamente, violentamente.
A única forma de salvação é a fé, na forma dos rituais seculares dos feiticeiros, padres, curandeiros, rezadeiras, ou a santidade, na hombridade dos atos (infelizmente, muito mais raro) como a castidade sexual, a honestidade, a veracidade, o respeito e o amor ao próximo.”

O restante do artigo, e outros interessantes como Vampiros Barrocos, Teoria do Contexto Marcante, Feitiçaria Barroca (meu preferido) criação de aventuras durante o período histórico da “Era Vargas“, aventuras Steampunk durante o período do 2º Império, podem ser encontrados por lá.

Em breve irei postar também material para ajuda a mestres e jogadores gentilmente cedidos pelo Mestre Leandro Lopes do Santos com temática 100% nacional, além de tentarmos ampliar o debate sobre o uso do Brasil, suas lendas e sua história, em nossas aventuras.

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