Os Vampiros De Penny Dreadful.

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Não sei se meus leitores andam acompanhando a fantástica série “Penny Dreadful” que está sendo exibida no Brasil pelo canal por assinatura HBO às sextas-feiras e portanto de ante-mão peço desculpas se por acaso estiver dando algum spoiller sobre a série, mas tenho que comentar sobre os vampiros que aparecem nela.

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Os atores da série.

A série por si só é fantástica. Ela consegue reunir em um roteiro bem elaborado os grandes personagens da literatura de horror clássica da chamada “Era Vitoriana“, que corresponde a segunda metade do século XIX, como Dorian Gray, Dr. Viktor Frankenstein, O Monstro de Frakenstein, Mina Harker, Van Helsing, Jack, O Estripador, além de todo aquele clima londrino de sombras, amargura e névoas. O roteiro trás também citações muito bem colocadas de grandes poetas e escritores do período, fazendo parecer que os personagens co-existiram ao lado de seus próprios criadores, como quando, por exemplo, Viktor Frankenstein cita uma frase de um livro de Mary Shelley que é na verdade a criadora da obra que deu origem ao próprio Frankenstein.

Na série Malcolm Murray, um aristocrata e explorador inglês, está a procura de sua filha, Mina Harker, que caiu sobre o controle de um ser sobrenatural que ele chama de “Criatura”. Conforme acompanhamos a série percebemos que essa “Criatura” é na verdade um Vampiro, como escrito na obra de Bram Stoker, “Drácula”, que nos apresenta Mina Harker na literatura. E é justamente sobre os vampiros apresentados na série que quero comentar.

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A “Criatura”.

Sempre quando vem a palavra vampiro à minha mente eu penso nos vampiros de “Salem’s Lot“, livro escrito por Stephen King e traduzido para o Brasil como “A hora do vampiro“. Ali ser vampiro era algo assustador, amaldiçoado, nem vivo nem morto, necessitando dos vivos para manter sua existência patética. Os vampiros se mantinham escondidos durante o dia, em um estado letárgico, só levantando de suas covas, ou buracos onde se escondiam durante o dia, para roubar a essência dos vivos a noite. Nada mais importava para estas criaturas.

Esse livro até hoje é um dos meus preferidos no quesito horror. Pensar em criaturas assim existindo no mundo é realmente assustador. Até então o máximo que se pensava sobre vampiros eram como os descritos por Bram Stoker em “Drácula”, onde o conde era um Vampiro-Mestre poderoso, que tinha um pouco mais de controle sobre sua existência do que as criaturas que ele criava, que eram apenas seres que buscavam o sangue dos pobres mortais. Ele tinha ao seu lado um secto de “noivas” ao qual ele queria adicionar Mina Harker, a quem acreditava ser a reencarnação de sua amada do passado, e um grupo de mortais que o serviam, destacando-se entre eles Reinfield.

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Ela no meio dos mortos vivendo e se escondendo.

Mas aí vieram os vampiros de Anne Rice e com eles uma onda de vampiros belos que convivem com os mortais experimentando os mesmos prazeres que os vivos, inclusive os prazeres da carne, invadiram a literatura e o cinema. Ser vampiro agora era o máximo. Imortal, belo, atraente para a mulheres, capaz de fazer sexo, beber, comer, e conviver no meio dos humanos. Surgiu até mesmo vampiros que ficam fingindo serem adolescentes, indo para a escola todos os dias só para pegar as “novinhas”, e ainda podendo andar ao sol!

Esse tipo de vampiro se tornou rapidamente muito popular através de obras como “Entrevista com o Vampiro“, “Vampiro Lestat” e “Rainha dos Condenados“, todos de Anne Rice, a série de TV “Buffy, a caça-vampiros“, devido principalmente ao personagem “Angel” um vampiro que fazia par romântico com a heroína, e principalmente depois da série para TV “Vampire Diaries” de L. J. Smith e a trilogia “Crepúsculo” de Stephenie Meyer. Aí os vampiros deixaram de ser ameaçadores para serem os escolhidos para romance por 9 entre 10 adolescentes desmioladas ou mulheres mal amadas. Realmente terrível.

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Uma das mulheres transformadas pela “Criatura”.

Mas eis que surge “Penny Dreadful” e com ele ressurge a maldição, o horror, da condição do vampiro. Eles não são mais os seres belos que se mostram aos mortais na sociedade local. Ao contrário eles se escondem em porões de navios, em locais escuros, cheios de ratos, Não querem saber de política, intriga, amor, ou qualquer outro sentimento mortal. Como dito por Van Helsing no episódio 6, “Eles são como animais. Eles pensam na sobrevivência, em procriar e conquistar”. Os humanos que ficam ao lado deles e os servem o fazem de maneira doentia, talvez devido a transmissão de alguma doença que os vampiros carreguem. Como a que acometeu Reinfield. Quem não leu a obra veja pelo menos o filme de 1992 que tem Gary Oldman no papel principal. Eles são feios, assustadores, e as mulheres que se transformam assumem uma aparência pálida, unhas grandes e negras, olhos negros com olheiras profundas e cabelos completamente brancos. Lembrei das “noivas” de Drácula. Uma visão muito mais apropriada, na minha opinião, da maldição do vampirismo. Ser vampiro aqui não é algo bonito nem desejável. Não há como ficar convivendo com os mortais se misturando no meios deles, indo a jantares ou bailes. Aqui a ordem é se esconder nas sombras e esperar pela sua vítima. E quando os mortais chegam perto de descobrir sobre a existência deles? Segundo Van Helsing eles fogem, somem o mais rápido que podem e levam um ente querido seu. “Os mortos viajam rápido”, disse ele. Talvez para explicar porque os vampiros se mantem como um mito, uma lenda e porque eles são tão rápidos.

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Um dos seus servos humanos.

A verdade é que estou curtindo demais a série e fez minhas filhas, que jogam RPG comigo, terem uma visão diferente do vampirismo que tinham devido as referências que possuíam no cinema e na TV. Agora elas entenderam também porque em nossa campanha de “Vampiro: A Máscara“, na qual elas são membros de uma família de Revenants, elas ainda não viram UM ÚNICO vampiro! Pra mim eles tem que ter uma certa aura de mistério, segredo, e os humanos que os protegem devem mantê-los assim. O vampiro como descrito na literatura de horror clássica é o predador perfeito, diferente do lobisomem que aparece e faz um estrago deixando um rastro de sangue por onde passa e vai embora. O vampiro não, ele é o predador silencioso e mortal, atacando sua vítima e sumindo sem deixar rastros. Por isso mistério, horror e sentido do sobrevivência devem ser o foco principal quando se tratam dessas criaturas. Experimente isso em sua campanha de RPG, seja ela qual for, e verá como jogar com ou contra um vampiro se torna muito mais assustador.

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9 pensamentos sobre “Os Vampiros De Penny Dreadful.

  1. O verso citado por Viktor Frankenstein é de Percy Bysshe Shelley, marido de Mary Shelley, retirado de Adonaïs: Elegia pela morte de John Keats.

  2. cara no livro dracula de bram stocker, mina não reencanação da esposa de dracula, diferente do que acontece no filme em que o vampiro é interprarado pelo omisario gordon digo gary oldman

    • Sim, houve uma modificação do livro para o filme, onde neste último eles quiseram deixar mais claro para quem via o filme o porque Drácula caía de paixão pela Mina. No livro ele fala, salvo engano, sobre uma alma velha da Mina.

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