Semana Hellblazer – Conheça o Mago Mais Controverso dos Quadrinhos.

Esta semana será dedicada ao personagem mais sacana, mais controverso e motherfucker dos quadrinhos: o mago inglês John Constantine. Cada dia irei publicar um artigo sobre Constantine, comentando sobre suas revistas, seu filme e apresentando adaptações para os mais variados sistemas de RPG. Hoje começo sobre sua origem e história na antiga Vertigo e agora nos Novos 52.

O Constantine da antiga Vertigo

Constantine foi criado em 1985 por Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben  para a revista “Swamp Thing” #37, da DC Comics. Em menos de um ano depois já tinha sua própria revista mensal, entitulada “Hellblazer”. Dizem que Alan Moore o criou parecido com o cantor Sting, baixista e vocalista do grupo de rock “The Police”, para atender a um pedido de Bissette e Tonteblen. Apesar de ter sido o criador de Constantine, Alan Moore não foi o responsável pela consagração do personagem como o mais pilantra, enganador e safado dos quadrinhos. Isso ficou a cargo de uma leva de brilhantes roteiristas como Garth Ennis, James Delano, Warren Ellis, Brian Azzarello, Steve Dillon, Mike Carey, Peter Milligan, entre outros.  

 

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Constantine, o Hellblazer.

Em sua origem Constantine teria nascido em 10 de maio de 1953 em Liverpool, fruto de um parto complicado que acabou matando sua mãe e seu irmão gêmeo. Existe até mesmo a possibilidade que John tenha matado o seu irmão no útero da mãe enforcando-o com o cordão umbilical. Em uma história ocorrida em um mundo paralelo era John que morreu e seu irmão se tornou um grande mago, combatendo as forças do inferno em Newcastle.

Devido a morte da esposa, o pai de Constantine, Thomas, se tornou alcoólatra e negligenciou os cuidados dos filhos, John e Cheryl, sua irmã mais velha. Por algum motivo Thomas acabou preso e John e sua irmã foram viver em Northhamptom com os tios. Em 1969, depois de voltar a viver com o pai em Liverpool, John decidiu fugir para Londres e morar com o amigo Francis “Chas” Chandler. Ali ele começou a se envolver com alguns círculos de ocultistas e magos até parar em San Francisco e conhecer o Mago Zatara e se envolver sexualmente com sua filha, Zatanna. De volta a Londres ele entrou na onda do punk rock, após assistir a uma apresentação dos Sex Pistols, e decidiu fundar em 1977 uma banda, a qual ele chamou de “Mucous Membrane“, em português “Membrana Mucosa“.

Membrana Mucosa.

Mucous Membrane agitou o círculo musical punk de Londres e em Newcastle, onde fizeram várias apresentações no Casanova Club, de propriedade de Alex Logue. Eles chegaram a ter um single, “Venus of Hadsell”, o qual fizeram um vídeo, que não ficou tão famoso quanto queriam. Assista o vídeo clicando AQUI. A banda era formado por:

  • John Constantine – Vocalista e principal compositor;
  • Gary Lester – Guitarrista e co-compositor;
  • Beano – Baixista;
  • Les – Baterista;
  • Uma tecladista usada em “Venus of Hardsell”, sem nome conhecido;
  • Chas – Rodie e motorista da banda.

Em 1978 eles foram até Newcastle para receber dinheiro por conta de várias apresentações que fizeram no Casanova Club e encontraram vários corpos dentro do clube. Eles haviam sido mortos por Norfulthing, um cão infernal conjurado pela dor e desespero de Astra Logue, filha de Alex, que era abusada sexualmente pelo seu pai e seus amigos. John tentou mostrar que possuía conhecimento sobre o oculto suficiente e tentou convocar o demônio Sagatana para derrotar Norfulthing, mas acabou convocando o demônio Nergal, que o enganou e o arrastou para o inferno junto com Astra. John conseguiu escapar, mas a simples visão do inferno o deixou louco fazendo com que fosse internado no hospital psiquiátrico Ravenscar por dois anos.

Constantine em Ravenscar.

Em Ravenscar, John era torturado com agulhas pelos enfermeiros que pensavam que ele era responsável pela morte da menina Astra, porque a versão oficial é que Constantine havia molestado e assassinado Astra. Seu médico Roger Huntoon usava sessões de terapias de eletrochoques que eram usadas mais para barbarizar seu paciente do que para curá-lo. Em 1980 um homem chamado Harry Cooper, chefe do crime organizado de Londres e que precisava dos conhecimentos de John para ressuscitar seu filho, conseguiu tirá-lo de Ravenscar.

Depois que deixou Ravenscar, John passou a se tornar um dos principais ocultistas da Grã-Bretanha, viajando pelo mundo para expandir seus conhecimentos e encontrando vários outros ocultistas como o Dr. Oculto, Mister E, o Vingador Fantasma e o elemental da Terra conhecido como Monstro do Pântano, onde começa suas histórias nos quadrinhos. Constantine serviu como instrutor para o Monstro do Pântano no uso de seus poderes e descobriu que a Brujeria, um culto de praticantes de magia negra da América do Sul, estava tentando despertar um mal muito antigo. Constantine teve participação decisiva na derrota do culto.

Sua volta para casa em Londres marca o arco de histórias da sua revista mensal “Hellblazer #1” chamado “Pecados Originais“, onde ele viaja de volta até os EUA para exorcizar o demônio da fome Mnemoth. Ele também investiga um culto chamado “Exército da Danação” e reencontra seu antigo algoz Nergal, de quem acaba ganhando uma transfusão de sangue, ficando com sangue do demônio em suas veias. Depois disso, Constantine já se viu em várias outras histórias memoráveis, como o arco de histórias “Hábitos Perigosos“, no qual ele engana o próprio Diabo para que este o cure de um câncer no pulmão. Essa história se tornou tão emblemática que acabou virando parte do roteiro do seu filme para o cinema estrelado por Keanu Reeves no papel do mago inglês. Ele também derrotou o Rei dos Vampiros, foi preso em Blackwater, derrota o demônio da empatia, entre várias outras aventuras que se tornaram célebres pelos fãs.

O Novo Constantine dos Novos 52.

O novo Constantine.

Com o fim da revista “Hellblazer”, acontecido no #300, a editora americana lançou a revista nº1 do novo John Constantine, agora chamada de “Constantine”, aproveitando para inseri-lo no novo universo criado por ela a partir do surgimento dos Novos 52. Ele agora está mais novo, solteiro e sem a cicatriz que virou sua marca nas últimas edições de Hellblazer. De cara vemos que a editora quer fazer uma distinção desta nova versão do herói da publicação anterior. A primeira e mais chocante novidade para os fãs do personagem foi que ele não faz mais parte do Universo Vertigo, selo criado pela DC em separado do universo dos super-heróis, e que possuía histórias mais maduras voltadas para um público mais adulto. Constantine retorna ao Universo DC, onde havia surgido originalmente nas páginas da revista “Swamp Thing” (“Monstro do Pântano”) com todos os super-heróis da editora existindo no mesmo universo. Percebemos isso logo no início da revista quando vemos Constantine olhando para o céu observando o Lanterna Verde cruzando o espaço de… Nova York!

Essa é a segunda novidade que também chocou os fãs. O mago inglês agora vive em Nova York e não mais na sombria Londres. Percebe-se que a intenção da editora e torná-lo mais cosmopolita transportando-o para uma cidade que é considerada a capital do mundo capitalista. Ele vive em um apartamento cheio de artefatos e objetos místicos. Originalmente ele deixava essas coisas nos armazéns com uma cópia das chaves com Chas, seu inseparável amigo. Por falar nele cadê o Chas? Bem nas primeiras edições deste novo título ele não aparece e fica difícil saber se o motorista de táxi inglês também virá para Nova York. O que vemos é Jules, provavelmente uma ex-amante, que aparece para servir de motorista para ele pelas ruas de Londres.

Nick Necro, de quem Constantine tomou o sobretudo que se tornou sua marca registrada.

Nessa sua nova versão, que difere da antiga devido a saga “Flashpoint” na qual a linha do tempo foi reconfigurada pelo Flash devido ao Flash Reverso, um John bem mais novo estava aprendendo tudo o que podia sobre oculto e magia na Europa quando ele decidiu viajar para Nova York e aprender tudo o que podia com um dos maiores magos do mundo: Nick Necro, que tinha estudado com o grande Zatara e Barão Winters. A namorada de Nick na época era a filha de Zatara, Zatanna, que também era uma poderosa maga. Quando se conheceram John acabou se apaixonando por ela. Os três estudaram juntos, lutando contra várias ameaças ocultas, como o Culto da Chama Fria, que já existia na versão anterior do nosso anti-herói, mas que desta vez tem uma origem diferente.

O novo Culto da Chama Fria.

Nessa nova versão ela seria formada pela união de quatro magos: Sargon, Tannarak, Zatara (ele mesmo, pai de Zatanna) e… MISTER IO! Antes um herói da linha mística da DC e que ao lado de John Constantine, O Vingador Fantasma e Doutor Oculto formavam a “Brigada dos Encapotados”. Este grupo de magos combatiam esporadicamente juntos ameaças sobrenaturais que colocavam em risco a humanidade, e foram responsáveis pela iniciação de Tim Hunter (de “Books of Magic” – Livros da Magia) no mundo da magia. Nessa nova versão John dá a entender que nunca encontrou Mister Io em sua vida, e o antigo herói, caçador de criaturas sobrenaturais, agora é um terrível vilão. Nick Necro se tornou obcecado com a busca dos lendários Livros da Magia. Sua obsessão levou Zatanna aos braços de John. Nick se aliou com o Culto da Chama Fria, a fim de enviar John para o inferno, como uma forma de vingança, em troca de ajuda para encontrar os Livros da Magia. Graças às artimanhas de John, porém, foi Nick que foi enviado para o inferno. O uso do sobretudo de John é explicado em sua nova origem devido ao fato dele ter ficado com o que Nick sempre usava, depois que este foi enviado ao inferno. John e Zatanna ficaram juntos por um tempo depois disso, até que se separaram, para se reencontrarem novamente na Liga da Justiça Sombria.

Uso de magia agora é mais constante.

A revista parece querer captar um pouco da atmosfera da Liga da Justiça Sombria, grupo de super-heróis místicos da editora que são formados para lidar com ameças sobrenaturais, onde os super-heróis da Liga da Justiça não dão conta ou não possuem conhecimento para lidar com estes problemas. A revista do Constantine se parece tanto nos desenhos quanto no roteiro, sem muito mistério, mas com uso mais ostensivo da magia. A magia agora parece realmente ser um poder de John, e ele faz uso dela sem muitos pentagramas, ingredientes e palavras mágicas. É quase que instantânea seu uso, assim como para seus adversários que usam magia para explodir as coisas e derrubar construções, tornando os conflitos mais na pegada de combates de super-heróis do que de personagens místicos, do jeito que parece querer a editora agora.

Outra novidade vem também logo na primeira página da revista: Papa Midnite está vivo e quer ver John. Isso parece apontar que a editora quer aproveitar também um pouco do que foi visto no filme “Constantine” que, apesar de ter feito muitos fãs torcerem o nariz, foi sucesso de público e se tornou cult entre aqueles que ainda não conheciam o mago mais canalha do universo. A revista mostra que deseja mais daquela pegada do filme, com um John Constantine mais novo, vivendo nos EUA e indo para o combate contra as forças sobrenaturais e não mais usando apenas da sua velha astúcia, talvez mirando em um público mais jovem e que curte “pancada”.

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O novo Papa Midnite.

As revistas de Constantine no Brasil foram publicadas por várias editoras diferentes fazendo com que os fãs nunca conseguissem ter toda sua cronologia na ordem correta. Atualmente suas histórias são publicadas pela Panini na revista mensal Vertigo e em vários encadernados. Recentemente a Panini lançou a série “Origens” que trás arcos de histórias clássicas de Constantine em uma única edição encadernada e na qual pretendem preencher esse “vazio” nos fãs. Já foram lançadas seis edições. Eu prefiro o clima e o tom das antigas revistas, sem ataques diretos, com muito planejamento e astúcia por parte do mago inglês, com a magia precisando de componentes e preparação, mas entendo a necessidade da editora de rejuvenescer o personagem e trazer público novo, já que o John vem aprontando nas revistas desde a década de 80 e era dos títulos da DC o mais antigo. Como fã de Constantine vou sentir saudades das antigas revistas (as quais de tempos em tempos pego para ler outra vez), mas irei acompanhar a nova revista também. Talvez sem o mesmo entusiasmo de antes, mas tentando ver o que ele irá aprontar neste admirável universo novo para qual a DC lhe trouxe de volta.

Para quem gostaria de jogar uma aventura de John Constantine na pegada da “Membrana Mucosa”, no meio do cenário punk rock da década de 70 veja um cenário feito neste clima clicando AQUI.

Para aqueles que gostariam de jogar uma aventura da Liga da Justiça Sombria, com John Constantine e Zatanna lado-a-lado clique AQUI.

No próximo artigo da “Semana Hellblazer” irei comentar sobre o filme para o cinema e mostrarei a adaptação deste filme para o RPG “Este Corpo Mortal”.

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